O Dia Internacional da Síndrome de Down, celebrado nesta quinta-feira (21), terá atividades de conscientização em João Monlevade. A ação ocorre às 17h30, no Hiper Comercial. O objetivo é mostrar à população que as diferenças devem ser respeitadas e que a inclusão é um direito. A equipe da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), pais e usuários farão a distribuição de panfletos. Também estão programadas intervenções artísticas.

A conscientização sobre a Síndrome é uma das bandeiras da professora artística da Apae, Aline Aparecida Gomes Carvalho. Ela destaca que o dia de hoje tem grande importância porque é uma oportunidade de mostrar à comunidade o valor da pessoa com Down.

“Este ano o tema do Dia Internacional da Síndrome de Down é ‘Ninguém fica para Trás’. E realmente eles não ficam. Estão sempre à frente da gente, porque nos ensinam o tempo todo. Temos que mostrar à sociedade que eles são capazes de ser feliz, de constituir família e dar conta de uma casa sozinhos. Eles não são deficientes como algumas pessoas dizem e sim eficientes. É totalmente diferente do olhar que a maioria das pessoas ainda têm”, ressaltou a educadora.

Lívia, com os pais André Matos e Flávia Valadares – Álbum Pessoal

A fisioterapeuta Flávia Valadares trabalhou na Apae por 14 anos. Ela é mãe da pequena Lívia, de 3 anos, portadora da Síndrome de Down. Para a Flávia, o dia 21 de março é uma data de conscientização,  luta dos direitos, valorização das capacidades, combate ao preconceito e de busca por um futuro melhor. “Aproveito o dia Internacional da Síndrome de Down para agradecer a Apae de João Monlevade por fazer a diferença na vida de tantas famílias. Parabéns pelo acolhimento, pela seriedade do trabalho e por acreditar que ninguém deve ficar pra trás”, pontuou.

Autonomia

Dançar é a atividade preferida de Amanda (Fotos: Kátia Passos)

Há 40 anos, a pessoa com Down tinha pouco acesso aos cuidados, tecnologias e o convívio com a sociedade. Hoje eles estudam, trabalham, se relacionam e são integrados aos grupos sociais. A expectativa de vida chega aos 70 anos. E é assim que Amanda Cristina Martins Dias, de 24 anos, vive. Felicidade a define. Ela, que frequenta a Apae de João Monlevade há alguns anos, conta que faz várias atividades sozinha e ainda ajuda a mãe com o irmão mais novo. Foi Amanda quem ficou com a mãe no hospital quando o caçula nasceu. Ela conta com entusiasmo que ajudou nos cuidados do recém-nascido. Sobre o futuro, Amanda diz querer seguir os passos da professora Aline e dar aulas de dança.

Claudirene ajuda a mãe em tarefas do dia a dia

Bastante comunicativa, Claudirene Aparecida Oliveira, de 31 anos, que também frequenta a Apae de João Monlevade, também quer ser professora. Orgulhosa, ela também afirmou que ajuda a mãe nos afazeres domésticos, enaltecendo a sua independência.

Acolhida

A assistente de qualidade, Michele Ramos de Freitas, de 35 anos, é a mãe do usuário mais novo atendido pela Apae. O filho dela, Gabriel Freitas Ramos, tem quatro meses e chegou nesta semana na unidade para os primeiros atendimentos que vão possibilitar o seu desenvolvimento. Michele conta que quando descobriu que o filho tinha Down teve muito medo. “Fiquei com medo do desconhecido, mas quando o Gabriel nasceu tudo mudou. O amor supera tudo”, falou. Ela também destacou a importância da instituição: “eles prepararam as crianças para a vida”.

Gabriel em sua primeira sessão de fisioterapia com a profissional Priscila Gianeli Guimarães

Na Apae, os bebês recebem atendimento multidisciplinar, com fisioterapeuta, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional. Às vezes é necessário apoio em outras áreas.
Bebês com síndrome precisam dos mesmos cuidados dos bebês comuns: amamentação exclusiva, vacinação, visitas ao pediatra, etc. Após o desmame é preciso introduzir alimentação sólida para estimular o desenvolvimento do cérebro com vitaminas e aminoácidos contidos nos alimentos frescos e naturais. O acompanhamento para estimular o desenvolvimento motor e intelectual precisa ser feito com disciplina e de forma constante para que as potencialidades sejam afloradas.

Sobre a Apae de João Monlevade

Fundada em 6 de julho de 1975, a Apae desenvolve um trabalho em João Monlevade com crianças e adolescentes que necessitam de cuidados especiais. A diretora da entidade, Maria Eucalina Monteiro Ferreira, explicou um pouco sobre os atendimentos e pontuou que são recebidos crianças de 0 até adultos de 65 anos.

A educadora salientou que a Apae visa acolher, promover o desenvolvimento, a superação dos desafios e limites de diversas famílias com múltiplas deficiências. A instituição busca ainda promover a garantia dos direitos e o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários.

A instituição sobrevive principalmente de doações. Para ajudar basta entrar em contato pelo telefone: (31) 3851-4933.

Saiba mais

A síndrome de Down não é uma doença, mas uma condição inerente à pessoa, portanto não se deve falar em tratamento ou cura. Essa condição está associada a algumas questões de saúde que devem ser observadas desde o nascimento da criança. O termo correto é criança com síndrome e criança comum.

Ainda no útero, é possível realizar exames que podem detectar se o bebê apresenta síndrome de Down. Casais com síndrome tem 80% de chance de ter um filho também com síndrome. Se só um dos parceiros tiver a síndrome, a possibilidade de ter um filho com Down cai para 50%.

A síndrome de Down é causada pela presença de 3 cromossomos 21 em todas ou na maior parte das células de um indivíduo. Isso ocorre na hora da concepção. As pessoas com síndrome de Down têm 47 cromossomos no núcleo das células em vez de 46, como é comum. O Brasil possui uma população de 350 mil pessoas com síndrome de Down, são 8 mil nascimentos por ano na proporção de 1 com síndrome a cada 750 nascidos.
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