Site aponta que Moro colaborou com MPF para ajudar Lava-Jato

Sérgio Moro e o ex-presidente Lula Arquivo/Agência Brasil

O site “The Intercept” publicou neste domingo (9) uma série de informações, baseadas supostamente em mensagens trocadas entre integrantes da força-tarefa da Operação Lava-Jato em Curitiba, sugerindo que o então juiz Sérgio Moro, responsável pelo caso, participou de articulações com o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) no Paraná. O objetivo seria colaborar para o sucesso da operação.

As mensagens também mostram que o então juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, onde correm os processo da Lava Jato, chegou a queixar-se de recursos que poderiam atrasar a execução de pena de um acusado e fez sugestões no cronograma de fases da operação.

Moro e Dallagnol ainda trocaram mensagens sobre a divulgação, pelo então juiz federal, de conversas telefônicas interceptadas entre Lula e Dilma Rousseff (PT) quando a ex-presidente decidiu indicar o líder petista para chefiar a Casa Civil, em um dos últimos atos para tentar salvar seu governo, em março de 2016.

Ação criminosa de hackers

A força-tarefa da Lava-Jato no Ministério Público Federal do Paraná (MPF-PR) divulgou nota oficial, na noite deste domingo (9). No texto, sem negar a veracidade das mensagens, a força-tarefa afirma que “seus membros foram vítimas de ação criminosa de um hacker”, com o objetivo de “atacar a operação”.

Conforme o comunicado, “há a tranquilidade de que os dados eventualmente obtidos refletem uma atividade desenvolvida com pleno respeito à legalidade e de forma técnica e imparcial, em mais de cinco anos de operação”. A nota destaca “três preocupações”.

A primeira delas envolve a “violação criminosa das comunicações de autoridades constituídas”, classificada como “grave e ilícita afronta ao Estado […] com o objetivo de obstar a continuidade da operação”. A segunda, é a possibilidade de que “a atividade criminosa continue e avance para deturpar fatos, apresentar fatos retirados de contexto, falsificar integral ou parcialmente informações e disseminar fake news”.

Por fim, a nota adverte para o risco de que as conversas sejam retiradas de contexto: “Vários dos integrantes da força-tarefa de procuradores são amigos próximos e, nesse ambiente, são comuns desabafos e brincadeiras. Muitas conversas, sem o devido contexto, podem dar margem para interpretações equivocadas.”

Na manifestação oficial, a força-tarefa informa ainda que “estará à disposição para prestar esclarecimentos”, e lamenta não ter sido procurada antes da publicação pelo Intercept Brasil – o que, segundo o grupo, “surpreende e contraria as melhores práticas jornalísticas”.

De acordo com a nota, “eventuais críticas feitas pela opinião pública sobre as mensagens trocadas por seus integrantes serão recebidas como uma oportunidade para a reflexão e o aperfeiçoamento dos trabalhos da força-tarefa”. (Com informações Gauchazh).

 

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