O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), formado pelo Ministério Público e as Polícias Militar e Civil desencadeou nesta terça-feira (9), a Operação Carcinoma. Vinte e dois mandados de busca e apreensão são cumpridos contra diretores e funcionários da Associação de Assistência às Pessoas com Câncer (AAPEC), que tem sede em Ipatinga.

As investigações se refe
rem a um esquema criminoso instalado na administração da AAPEC, com o intuito de enriquecimento ilícito, mediante apropriação de recursos públicos e de numerário arrecadado com doações que funcionários do telemaketing conseguem via telefone para assinantes da telefonia fixa.foto 2

Anúncios
Continue lendo após o anúncio

A assessoria de imprensa do Ministério Público Estadual informou que “durante aproximadamente seis meses de investigações, foi identificado que um núcleo criminoso operava o esquema de dentro da administração da AAPEC. Recursos públicos e privados captados eram desviados em favor dos criminosos. As pessoas que deveriam ser as destinatárias de assistência pouco recebiam da associação. Verificou-se que, além da sede em Ipatinga, AAPEC possui filiais em outras cidades e contava com uma empresa de telemarketing, a serviço dos infratores, sendo de grande monta a totalidade da arrecadação das doações”. 

Conforme o Gaeco, tais doações do público, em vez de realmente terem sido empregadas em favor das pessoas acometidas pelo câncer, eram quase que por completo abocanhadas pela organização criminosa, inclusive, com esquema de lavagem de dinheiro, em um verdadeiro estelionato coletivo e crimes contra a economia popular.

A AAPEC também possuía um convênio com o município de Ipatinga, com recebimento de recursos públicos, contudo, além dos desvios relatados, a AAPEC deixava de prestar relevantes serviços aos portadores de câncer, como deveria fazer diante do convênio com o município.foto 4

Além do enriquecimento e a vida de ostentação, com carros de luxo e motos esportivas, levada pelo casal administrador, de fato, da AAPEC, eles ainda residiam em um imóvel de propriedade da AAPEC no bairro Cidade Nobre, em Ipatinga.

Enquanto isso, a própria Associação dependia de um imóvel alugado para funcionar, no bairro Iguaçu. A Associação ainda é responsável por arcar com as despesas com alimentação, construções, viagens, festas, “fitness” e outros luxos e despesas pessoais dos investigados, valendo-se da solidariedade e sensibilidade da população, para levar a cabo o engodo, mantendo em erro os doadores.

Muitos doadores das cidades de Ipatinga, João Monlevade, Governador Valadares, Viçosa e Sete lagoas acreditavam que contribuíam para auxílio a uma pessoa carente, acometida de câncer, quando na verdade estavam aumentando a riqueza da grei criminosa.

aapec

Muitas doações eram contínuas e obtidas também de pessoas com parcos recursos, que agiam por inocente desejo de ajudar ao próximo, muitas das vezes, sensibilizadas pela perda de algum familiar ou amigo, atacado pelo câncer.

Igualmente, os fatos vinham chocando, até mesmo, funcionários da associação, já que claramente percebiam que pouquíssimas pessoas eram realmente incluídas para assistência pela AAPEC.

“Grande parte das arrecadações serviam mesmo era para aumentar a riqueza e luxo dos investigados”, informa o relatório da investigação do Gaeco.

Divulgação Gaeco

I115788.jpg

Operação contou com cerca de 80 policiais civis e militares, além de membros do Ministério Público

 

Operação Carcicoma

A primeira fase da operação foi deflagrada na manhã desta terça-feira, com atuação em seis cidades do Estado de Minas Gerais (Ipatinga, Coronel Fabriciano, Santana do Paraíso, Belo Horizonte, Governador Valadares e Viçosa).

Participam, 76 policiais militares e civis, que se reuniram inicialmente no Quartel do 14º Batalhão da Polícia Militar em Ipatinga e outras Unidades das cidades envolvidas.

Foram cumpridos oito mandados de prisão temporária e mais de 20 mandados de busca e apreensão. A Operação deflagrada hoje dá início a uma nova fase investigativa, visando verificar irregularidades em 17 empresas ligadas às investigações.

foto 1

Carcicoma

“O nome da operação tem a origem em um tumor maligno, com alta taxa de incidência e que, assim como os crimes praticados contra a Aapec, precisa ser combatido e extirpado, em benefício das pessoas acometidas pela mencionada doença e da população em geral”, afirma o MPE.

O Gaeco também pediu que fosse nomeado um administrador judicial para assumir a gestão da associação, em razão do afastamento dos gestores de fato, que usavam da associação para finalidades ilícitas, notadamente voltada para o autoenriquecimento.

Mais informações devem ser divulgadas na tarde desta terça-feira, na sede do 12º Departamento de Polícia Civil, em Ipatinga.

 

Fonte: Diário do Aço

Anúncios
Publicidade

4 COMENTÁRIOS

  1. Meu Deus onde vamos parar com tantas corrupções.. é por estas e outras que o povo tem que pensar muito, mas muito mesmo em que vão colocar no poder em outubro de 2016, porque atrás de Associações como estas, existem outras centenas até milhares de facções criminosas.. São roubos praticados por todos os lados em Prefeituras, em Câmaras, em Associações.. e o povo.. este fica sempre a ver navios.. Que Deus passe na frente e clareia a mente de todos.. Vergonha.. Bando de ladrões do colarinho branco… cadeia neles.. pena que aqui não tem pena de morte para estes vagabundos

  2. MEU DEUS, SERÁ QUE ESSA GENTE NÃO TEM ALMA?
    SOU DE JOÃO MONLEVADE E FAZ UNS CINCO SEIS ANOS QUE CONTRIBUO COM ESSA INSTITUIÇÃO,
    A SECRETÁRIA FALA DOS DOENTES COM TANTA URGENCIA QUE O CORAÇÃO DAGENTE DESABA.
    É ISSO AI, PARABENS PARA A POLICIA E O MINISTÉRIO PUBLICO, NÃO COLOCA NA CADEIA NÃO
    SÓ TOMA TUDO QUE ELES ROUBARAM DE QUEM DOOU E DOS PACIENTES, PARA SERVIR DE EXEMPLO
    PRA OUTROS QUE COM CERTEZA TB TÃO ROUBANDO. SE TIVESSE PENA DE MORTE , TAVA FACIL, MAS CADEIA…. VAI DAR MUITA DESPESA PRA NÓS, MANDA MATAR ESSES DEMOMIOS.

  3. eu sou uma das milhares de pessoas que doavam todo mes a AAPEC para as pessoas cometidos com essa doença! infelizmente a má FÉ de pessoas como os administradores da AAPEC fazem com que a populaçao pense mil vezes antes de doar e quem sofre são as pessoas que realmente precisam das doações.infelizmente eu não participarei mais dessas campanhas.pois trabalho duro e não tenho nem um terço do que eles tem.assim caminha a humanidade só corrupção!!!!!será que um dia tera um fim???

  4. Estou chocada, não com a deflagração da quadrilha mas com o tempo que o MP levou para fazer isso. Eu, pessoalmente, fiz uma denuncia, há exatamente 5 anos, direto ao MP e NADA foi feito. Com minhas próprias pernas investiguei tudo que está falando aí e entreguei nas mãos da polícia. Simplesmente 5 anos de muito prejuízo para os pacientes e para os doadores.
    Absurdo como as coisas demoram para acontecer nesse Brasil falido!!

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Digite seu nome aqui