Acusado de tentativa de homicídio vai cumprir pena em casa

Réu, que estava preso, foi liberado pelo juiz Rodrigo Braga (Kátia Passos)

Terminou por volta do meio-dia desta terça-feira (13), no Fórum de João Monlevade, o julgamento de Marcos Antônio Gonçalves, de 29 anos. Ele foi acusado de tentativa de homicídio contra Muller Andrade Correa, 30. O crime aconteceu em 2013.

Marcos, que estava preso preventivamente há oito meses, vai cumprir pena em regime aberto por três anos e quatro meses. Com a prisão domiciliar, ele não pode sair á noite e nem viajar sem autorização da Justiça. A sentença foi conferida pelo juri formado por seis mulheres e um homem e lida pelo juiz Rodrigo de Braga Ramos.

O promotor do caso, Rodrigo Almeida, pontuou como justa a sentença do réu. Ele defendeu que o crime cometido por Marcos foi motivado por fortes emoções, já que a vítima teria agredido e ameaçado o acusado por conta de uma ex-namorada.

Marcos Antônio não possui ficha criminal. A vítima do caso, Muller Andrade, era conhecido traficante em João Monlevade e foi morto em 2017 numa emboscada no centro da cidade. Ao receber a notícia de que poderá cumprir a pena em casa, Marcos chorou. Familiares do homem, que também acompanham a sessão, comemoraram.

Julgamento durou cerca de duas horas (Kátia Passos)

O crime

Marcos Antônio atirou cinco vezes contra Muller Andrade por volta das 17h40 do dia 21 de julho de 2013, conforme os autos do processo. No dia anterior, a vítima teria ido atrás do acusado e o agredido com socos, chutes e golpes de capacete. Marcos precisou de atendimento médico, mas não quis revelar as agressões por medo de Muller. O desentendimento entre eles foi ocasionado por uma mulher que já havia namorado a vítima e estava em um relacionamento com Marcos.

A defesa do réu sustentou a tese de que Marcos teria se armado para se defender contra as ameaças de Muller. No dia do crime, a vítima teria fechado o carro em que Marcos estava, na avenida Armando Fajardo, e chamado o desafeto para um acerto de conta. O acusado então teria saído do carro e atirado contra Muller. Uma das balas atingiu o seu braço.

Depois da confusão, Marcos e a família dele se mudaram de João Monlevade por medo de novas ameaças. Ele só foi preso preventivamente por não informar à Justiça o seu atual endereço residencial.

Acusado não é criminoso

A acusação do caso foi feita pelo promotor de Justiça Rodrigo Almeida. Ele defendeu que o acusado não é criminoso por não ter passagens pela polícia. Ele também pontuou que a vítima, Muller Andrade, era um traficante conhecido no meio policial. O promotor, por várias vezes, falou aos jurados sobre as agressões físicas sofridas pelo acusado. Durante a sua fala, Rodrigo Almeida pontuou a necessidade da punição, mas de forma justa. “O crime foi cometido por violenta emoção ou por provocação da vítima. A pena vai lembrá-lo que não se resolve problemas na força. O importante não é pena ser alta, sem ser certa”, frisou.

Caso clássico de violenta emoção

A defesa do acusado ficou a cargo dos advogados Dimas Tadeu de Souza Castro e Ivanete Gomes da Silva. Dimas comentou que o processo é um caso clássico de violenta emoção. Ele citou também que o que motivou o desentendimento entre o réu e a vítima foi o fato de Marcos se apaixonar e envolver com mulher que antes dele namorava com um criminoso. A ficha policial de Muller também foi exposta ao juri em defesa do acusado. “O peso da arma é pequeno quando analisamos o contexto do caso. A verdade é uma só. E os senhores [os jurados] sabem qual é. Meu cliente nunca teve anotação criminosa. Já a vítima foi morta a tiros”, falou Dimas.

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