Anna Muylaert sobre novo filme: Não esperem um “Que Horas Ela Volta?”

“Que Horas Ela Volta”, estrelado por Regina Casé, conseguiu discutir as questões sociais do Brasil e ainda ficar entre as maiores bilheterias do cinema nacional em 2015, bem pertinho da comédias brasileiras, o que é raro para filmes desse tipo.

Menos de um ano depois, a diretora Anna Muylaert está de volta com “Mãe Só Há Uma”, que chega aos cinemas nesta quinta (21), mas se você esperar algo na linha do “Que Horas Ela Volta?”, duas coisas podem acontecer: surpresa ou decepção. “Eu espero que as pessoas não venham esperando o mesmo porque vão se decepcionar. Ou talvez isso seja bom. Elas podem se surpreender”.

Divulgação

A cineasta Anna Muylaert

No entanto, a ideia de fazer um filme menor não surgiu de um ato de rebeldia depois do sucesso inesperado de “Do Que Horas Ela Volta?”. “As pessoas acham que foi tudo depois, mas não. Eu filmei esse meses antes de lançar o ‘Que Horas?’. A história e o formato vem sendo desenvolvido há cinco anos. Isso tudo não quer dizer que eu não volte a trabalhar com orçamentos maiores”.

Muylaert diz que é trabalhar a expectativa daqui para frente. “Claro, gera expectativa. Todo mundo quer a continuação dessa coisa. E eu vou poder atender ou não. Não sei. O que eu tento de mim é tentar manter o foco na minha seriedade. Cinema é algo que você faz para o público, mas se eu deixar essas expectativas me pegarem, eu vou paralisar diante de uma folha em branco”.

“Mãe Só Há Uma” é livremente inspirado no caso Pedrinho, de 2002. No enredo, o jovem Pierre (interpretado pelo estreante Naomi Nero) descobre que foi roubado na infância e que sua mãe não é a biológica. A polícia prende a sua mãe de criação e ele vai viver com a nova família. Apesar de ter o sequestro como pano de fundo, Anna se debruçou sobre a descoberta sexual de Pierre, que passa a usar maquiagem e roupas femininas.

Filme de baixo orçamento, tudo no novo longa de Muylaert é mais jovem: o tema, a descoberta da sexualidade na adolescência, a equipe, média de 30 anos, o formato, câmera na mão. “O objetivo desse filme, era dar um voo de liberdade. Queríamos fazer um filme sem ator famosos, sem carregar esse peso, poder experimentar narrativas diferentes, pode trabalhar com equipe mais jovem e com isso proporcionar essa experiência de verdade com a história. Acho que consegui”, afirmou.

A diretora, no entanto, explica que o sucesso do “Que Horas” resultou mais em debates nas ruas e universidades do que em convites para filmes. O reconhecimento do filme, escolhido para representar o Brasil no Oscar deste ano, também rendeu a Anna o convite para integrar a Academia de Hollywood. Ela ajudará a escolher o melhor diretor no Oscar de 2016.

Quando recebeu o convite por e-mail da Academia, achou que fosse trote, correu para as redes sociais e viu que havia pessoas comemorando a novidade. O convite faz parte de um esforço da Academia de ampliar a diversidade racial e de gênero depois da polêmica da última edição no Oscar, em que não havia negros entre os indicados a ator. “Na prática, eu só participei de uma votação para escolher o representante dos diretores. E votei numa mulher porque estou lá para isso”. Anna fez seu papel, mas o eleito foi Steven Spielberg.

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