Os técnicos esclareceram dúvidas e apresentaram sugestões de trabalho (Darliéte Martins)

Nesta segunda-feira, (9), a Regional de Saúde de Itabira reuniu 25 profissionais técnicos de vigilância epidemiológica dos municípios da região de saúde para discutir ações de enfrentamento ao coronavírus (Covid-19) em virtude dos casos suspeitos que já estão sendo notificados em Minas Gerais, com um caso já confirmado. Na região, apenas João Monlevade apresenta três casos suspeitos da doença.

O encontro ocorreu no auditório da Regional de Saúde e, na ocasião, também foram discutidas as características do vírus, as formas de contágio, a prevenção, a investigação e o manuseio dos pacientes suspeitos com sintomas iniciais de gripe, febre ou não, coriza, dores e dificuldade ao respirar.

Marcelo Barbosa Motta, coordenador regional de vigilância epidemiológica da Regional de Itabira iniciou a reunião explicando que os principais sinais da Covid-19 (nome dado à doença provocada pelo Sars-Cov-2) são febre, tosse e dificuldade para respirar, mas muitos pacientes manifestam outros sinais, como coriza e dor de garganta. Uma pessoa gripada pode apresentar o mesmo quadro, e distinguir a infecção pelo novo coronavírus de uma gripe só com base nos sintomas é impossível, por isto é necessário uma análise mais criteriosa do paciente, e os exames laboratoriais serão fundamentais para o descarte ou a confirmação da doença.

Segundo Motta o objetivo do encontro é o de alinhar questões que são básicas de situações que podem surgir em nossa rotina de trabalho. Ele falou sobre o histórico da doença que está se espalhando pelo mundo rapidamente e que teve origem na China. O vírus consegue ser transmitido facilmente e rapidamente, quando sai da célula carrega um pouco da membrana e ao entrar em nosso sistema imunológico é reconhecido como uma célula nossa e não ativa resposta imunológica, razão pela qual se multiplica rapidamente no organismo. O período de transmissibilidade é de 2 a 7 dias após a infecção pelo vírus.

“No momento, o que ajuda no diagnóstico é saber se o indivíduo com esses sintomas relatados visitou uma região onde há transmissão intensa do coronavírus 14 dias antes de os sintomas surgirem. Ou se ele entrou em contato com algum caso suspeito ou confirmado de Covid-19. Caso contrário, é mais provável que ele esteja sofrendo com uma gripe. E, ainda que a pessoa tenha voltado de um local desses e se enquadre nos sintomas, não dá para saber se de fato ela está contaminada com base somente nessas informações. É importante tomar as medidas profiláticas necessárias e coletar o exame para investigação laboratorial, discutindo os casos com o Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde – CIEVS, sobre a viabilidade ou necessidade dessa coleta ou não” afirmou Marcelo.

A farmacêutica Juliana Lage, referência técnica da epidemiologia falou sobre o fluxo de assistência aos casos suspeitos ou prováveis de Covid-19, e explicou sobre as diferenças entre casos suspeitos, prováveis ou confirmados de acordo com os sintomas apresentados pelo paciente e seu histórico de viagem e/ou contato com um caso também suspeito ou confirmado. Os casos confirmados são de evidência laboratorial com resultado positivo de PCR ou critério clínico quando o paciente teve contato próximo com um caso de coronavírus confirmado laboratorialmente.

Fernanda Pires, farmacêutica da epidemiologia da Regional de Saúde de Itabira discutiu as medidas de segurança necessárias para o tratamento dos casos nas unidades básicas de saúde.

Além dos aspectos históricos do coronavírus, situação epidemiológica atual, aspectos clínicos da doença, critérios de definição de casos, manejo dos casos na atenção primária e hospitalar, fluxo de notificação dos casos, vigilância e monitoramento dos contatos, os técnicos esclareceram dúvidas e apresentaram sugestões de trabalho e contatos.

“Covid-19 ou não, é bom lembrar que as infecções respiratórias tendem a se espalhar com facilidade e são mais perigosas para idosos, pacientes com doenças crônicas e indivíduos com o sistema imunológico abalado. Assim, é importante adotar as medidas de prevenção contra o novo coronavírus, que são basicamente as mesmas de outras infecções respiratórias”, concluiu Marcelo Motta.

O Ministério da Saúde orienta cuidados básicos para reduzir o risco geral de contrair ou transmitir infecções respiratórias agudas, incluindo o coronavírus. Entre as medidas estão:

· Lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por pelo menos 20 segundos, respeitando os cinco momentos de higienização. Se não houver água e sabonete, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool.

· Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas.

· Evitar contato próximo com pessoas doentes.

· Ficar em casa quando estiver doente.

· Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo.

· Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com frequência.

Profissionais de saúde devem utilizar medidas de precaução padrão, de contato e de gotículas (máscara cirúrgica, luvas, avental não estéril e óculos de proteção).

Para a realização de procedimentos que gerem aerossolização de secreções respiratórias como intubação, aspiração de vias aéreas ou indução de escarro, deverá ser utilizada precaução por aerossóis, com uso de máscara N95.

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