Acredita-se que esses números podem ser ainda maiores, já que há pacientes que não procuram atendimento médico ou que não alertam os parceiros sobre a doença e ainda há quem recorre a tratamento particular.
O caso de pessoas infectadas pelo vírus HIV em João Monlevade vem aumentando progressivamente, segundo dados do Programa Municipal de Infecção Sexualmente Transmissível (IST) / HIV / AIDS. De agosto de 2016 até agosto de 2017, 31 novos casos da doença foram registrados. Desses, 21 são de moradores de João Monlevade e os demais de cidades vizinhas como Nova Era, São Domingos do Prata, Catas Altas e Rio Piracicaba. Os homens também são a maioria no número de doentes (22).  Ainda conforme os dados, a faixa etária de 20 a 29 anos, é a que mais concentra pacientes em tratamento.
As informações sobre o aumento dos casos de HIV positivo em João Monlevade foram repassadas pelo vereador Belmar Diniz (PT), durante reunião da Câmara Municipal, na tarde de ontem (13). Ele comentou sobre a questão e disse que profissionais da área de saúde estão alarmados com os números.
Ainda conforme o vereador, por ano, de sete a oito casos eram descobertos pela equipe do Programa IST, agora, esses dados já estão na casa dos 30 casos/ano.
Acredita-se que esses números podem ser ainda maiores, já que há pacientes que não procuram atendimento médico ou que não alertam os parceiros sobre a doença e ainda há quem recorre a tratamento particular.
 
Cada vez mais jovens
 
O avanço da epidemia entre jovens é um fator que assusta. Para se ter ideia, existe um caso de um adolescente de 16 anos em tratamento em João Monlevade devido a infecção pelo HIV. Quando o jovem deu entrada no programa ele tinha 14 anos.
O que explica o aumento de casos da doença entre jovens e adolescentes é, principalmente, a falta da cultura do uso do preservativo, já que relação sexual continua sendo a forma de infecção mais frequente.
 “Acredito que o trabalho de prevenção e conscientização deve começar na educação, sintonizado com o mundo atual. Existem recursos públicos para isso e os pacientes soro positivo, de alguma forma, devem comunicar com seus parceiros. Não é fácil, mas é o correto. Também não devemos ter preconceito com as pessoas portadoras do vírus pois o momento agora é de darmos o total apoio. Esta campanha deve ser também contra o preconceito”, pontuou Belmar.
 
Mortes em 2016
Três pessoas morreram em 2016 em decorrência da AIDS em João Monlevade. Até o ano passado, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, havia 100 soropositivos na cidade.
O tratamento para os doentes em João Monlevade é oferecido gratuitamente pelo Centro de Saúde Padre Hildebrando, na Vila Tanque. Os pacientes recebem tratamento de equipe médica  que conta também com enfermeiros, farmacêuticos, psicólogos e assistentes sociais.
Camisinha é a única prevenção
 
O infectologista e clínico geral da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) Paulo Olzon, é categórico ao afirmar a importância da prevenção: “A forma de se prevenir é através do uso de preservativo durante as relações sexuais. Hoje, não se vê mais campanhas, incentivos governamentais falando sobre o assunto. É preciso que essas informações cheguem aos jovens, que são muito diferentes dos portadores da década de 80, por exemplo. É muito raro morrer de AIDS hoje, mas isso não tira todo o estigma e sofrimento que essa pessoa vai passar durante a sua vida. É um tratamento para o resto da vida.”
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