Durante a pandemia as medidas de distanciamento social para conter a disseminação do novo coronavírus criaram um novo comportamento na população e acabaram impulsionando as compras no ambiente virtual. É o que aponta pesquisa da Serasa Experian. O levantamento ouviu 3 mil pessoas em 10 países.

Patrícia Modesto, gerente de Análise de Decisões da instituição, lembra que o Brasil se destaca dos outros países em alguns pontos.

“O número de brasileiros que compraram produtos domésticos on-line, exceto os alimentícios, cresceu de 11% em março para 31% em julho. Os produtos mais procurados foram roupas, livros e eletrônicos. Quando a gente olha os produtos alimentícios, que vão desde o in natura até refeições prontas, também houve crescimento. Subiu de 60% em março para 71% em julho” apontou.

É a situação de Samyr Alves, que já fazia pequenas compras de emergência on-line. Durante a pandemia, o aplicativo do supermercado que ele frequenta não estava cobrando taxa de entrega. Samyr passou a fazer as compras do mês pelo app, mas reclama da qualidade de alguns produtos.

“Como eu passo muito tempo com meus pais e eles são idosos, a gente ficou com medo de mercado que ia encontrar muita gente. Aí, a gente preferiu arriscar a fazer compras maiores. No começo a gente não ficou receoso de comprar nenhum produto, mas a gente ver por exemplo, a parte de hortifruti não seleciona. Então, às vezes, vinha uns produtos meio feinhos, ou então quase vencendo”, contou.

Samyr afirma que segue comprando o básico de forma on-line e só vai ao mercando uma vez ao mês.

O que começou na pandemia pode virar hábito. Segundo a Experian, essa tendência deve continuar após o isolamento social. Patrícia Modesto destaca que a pesquisa aponta que a expectativa dos brasileiros é que as compras on-line aumentem 53% em até seis meses.

“O cuidado com a saúde trouxe à população uma mudança de hábito que privilegia as compras e interações no ambiente virtual e essa tendência deve continuar após o isolamento social. O que a gente vê é que empresas que não realizavam vendas on-line antes acabaram se adaptando para fazer negócios porque os consumidores estavam procurando mais produtos e serviços remotamente. Esse público que passou a fazer compras online durante a pandemia pode também passar a considerar esse tipo de opção de compra para aquisição de produtos futuros”, explicou.

A pandemia da covid-19 parece que interferiu também na relação dos consumidores com o dinheiro. De acordo com a Experian, entre os brasileiros consultados, 24% afirmaram que estão reduzindo gastos desnecessários. Enquanto 21% disseram estar economizando mais em fundos de emergência.

Publicidade

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Digite seu nome aqui