Uma tecnologia inteiramente brasileira tem sido usada na recuperação de animais vítimas de queimadura nos incêndios que atingem o Pantanal. A pele de tilápia, um peixe de água doce abundante no Brasil, é rica em colágeno e tem sido aplicada sobre as feridas de bichos que resistiram ao fogo, mas que agonizam com queimaduras expostas em todo o corpo.

Felipe Rocha, biólogo e pesquisador foi um dos voluntários da Universidade Federal do Ceará que desembarcou este mês em Cuiabá, capital de Mato Grosso, com uma equipe de três profissionais para dar socorro à fauna local e oferecer treinamento sobre o uso da pele de tilápia. Munido de 130 peles, ele atendeu a diversos bichos, e relata que já era possível ver melhoras significativas após dois dias de aplicação.

A pele da tilápia é colocada sobre os ferimentos e adere a eles formando uma couraça. Quando esse processo ocorre, três outros efeitos acontecem ao mesmo tempo: o colágeno doado à ferida ajuda na cicatrização, a pele cria uma região de proteção que impede a perda de líquidos e o curativo natural reduz a chance de infecções, já que cria uma barreira contra bactérias. Uma outra vantagem é que essa bandagem biológica não precisa ser trocada diariamente e permite que a permanência por até 10 dias sem precisar mexer nos ferimentos reduza o sofrimento dos animais.

O cirurgião plástico e coordenador da pesquisa na universidade do Ceará, Edmar Maciel, pontua alguns requisitos importantes para o sucesso do tratamento.

A pesquisa sobre a pele de tilápia é desenvolvida há seis anos e já foi usada em animais domésticos e também em humanos, sempre com resultados positivos. Estudos semelhantes são desenvolvidos em São Paulo e no Rio Grande do Sul.

A pele de tilápia também foi usada em incêndios florestais de grandes proporções na Califórnia, nos Estados Unidos, para a recuperação da fauna, sob orientação dos pesquisadores brasileiros. Aqui no país, tem sido um importante aliado na recuperação dos danos causados pelos incêndios no Pantanal, onde, só este ano, o fogo já devastou mais de 26% do bioma.

Publicidade

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Digite seu nome aqui