Detentos contam suas histórias por meio de fotos e textos

O Projeto Estrela dá oficinas de fotografia e texto a pessoas privadas de liberdade

Nesta terça-feira, dia 14 de agosto, será inaugurada mostra que reúne trabalhos de pessoas privadas de liberdade em cinco unidades prisionais por meio do projeto A Estrela. O material, inteiramente produzido por pessoas privadas de liberdade no contexto , será exposto na galeria do Fórum Lafayette, até o dia 14 de setembro. O trabalho ofereceu a eles oficinas de narrativas textuais e visuais e, a partir daí, os convidou a produzir conteúdos para uma revista de mesmo nome.

Os relatos em primeira pessoa, séries de fotojornalismo, crônicas, poemas e imagens artísticas que estampam as páginas da publicação ajudam a entender as trajetórias, as angústias, os sonhos, os arrependimentos, as dores e as alegrias de quem está no cárcere.

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A seleção conta com cerca de 50 fotos originalmente publicadas na edição piloto da revista A Estrela, que circulou em novembro de 2014, e nas quatro edições subsequentes, viabilizadas ao longo de 2016 e 2017 pelo Rumos Itaú Cultural. A mostra é realizada pelos idealizadores e editores do periódico, a jornalista Natália Martino e o fotógrafo Leo Drumond, que também estão à frente do Projeto Voz, conjunto de iniciativas na área de comunicação, desenvolvidos em unidades prisionais.

 

Saiba mais sobre a revista A Estrela

Homenagem ao periódico homônimo que circulou na década de 1940, A Estrela era produzida na Penitenciária Central do Distrito Federal e publicava artigos de detentos ao lado de textos de grandes expoentes do direito penal. Um editorial de 1944 resume bem o perfil da publicação: “Quem melhor do que o próprio encarcerado poderá indicar aquilo de que mais carece? Para que legislar, decretar; para que conferências penitenciárias se àquele mais fundamentalmente visado por essas medidas é recusado o direito de falar, e quando os seus mais justos anseios devem ser recalcados?”.

A revista e a publicação digital A Estrela contam com conteúdo exclusivamente produzido pelos detentos. São ensaios fotográficos, textos em diversos formatos e vídeos. Na edição piloto, produzida na Associação de Proteção ao Condenado (APAC) do município de Itaúna (MG), um dos participantes desenhou a logomarca da revista, que foi revisitada nos números seguintes com desenhos de novos participantes. Todos são incentivados a se expressar com qualquer recurso artístico que desejarem, como ilustrações e composições musicais.

Em 2016, o projeto foi contemplado pelo edital do Rumos Itaú Cultural, o que permitiu a produção de quatro outras edições da revista. Nessa etapa, o trabalho foi desenvolvido na APAC masculina de São João Del Rei, na APAC feminina de Rio Piracicaba, no Presídio de Vespasiano (Ala LGBT) e no Complexo Penitenciário Estevão Pinto. Para conferir o que foi feito nos números já produzidos, basta acessar o material no aqui.

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