Elisabete Farias: vivenciar o luto em tempos de pandemia

Elisabete Farias Gregório. Foto: Ernane Motta / PMJM

Família, fé e trabalho têm sido os pilares adotados pela dentista Elisabete Farias Gregório para enfrentar com sabedoria um dos momentos mais difíceis para ela: o luto pela perda do marido.  “Bete”, como é carinhosamente chamada pelos amigos é trabalhadora, mãe, avó e esposa. Ela explica que não tem sido fácil caminhar sem a presença física do companheiro que esteve ao seu lado por quase quatro décadas, o também dentista, Antônio Bezerra Neto que faleceu em setembro de 2020, vítima da Covid-19.

Assim como Bete, tantas outras pessoas também choram a perda de seus entes queridos por conta da pandemia no novo coronavírus. Conforme a dentista, os últimos seis meses têm sido cheios de muita saudade. As lágrimas, antes derramadas por dor, hoje representam também a força em caminhar para continuar sendo o esteio e a força da família. Afinal, são três filhos e três netos que estão todos os dias enchendo sua casa de vida e claro, de sorrisos.

Ceará/ Paraíba/Minas

 “Muitas vezes eu me acho tão frágil e quando olho para trás e vejo minha trajetória até aqui, sinto que tive muitas vitórias com muitas lutas”, comenta lembrando de sua saída ainda muito jovem do Ceará  para estudar na Paraíba.

E foi na Paraíba que conheceu o marido e logo depois ingressaram por entre as montanhas mineiras.  “Fui estudar longe da minha família e quando me formei na terra de Neto, em João Pessoa, eu estava com 23 anos e Neto com 24. Chegamos aqui em João Monlevade para exercer nossa profissão e aqui ficamos até então. Mas, sobre essa força que carrego, ela é a força da mulher nordestina”,  brinca.

 Apoio de amigos e família

Para Bete, passar pelo luto com o apoio da família e dos amigos tem sido menos doloroso. “Nunca fiquei sozinha e minha família sempre está por perto, apesar de todo distanciamento que o momento exige”, comenta. Em seu consultório odontológico, do qual o marido era parceiro de trabalho, hoje está um filho e uma nora trabalhando juntos para seguir os sonhos idealizados juntos.

Depois do falecimento do marido, Bete recebeu carinho de muita gente e inclusive de pessoas que nem conhecia. Ela cita que uma das preocupações maiores do marido enquanto estava no hospital era com ela. “Fiz os exames e deu negativo e até ali, Neto estava me preservando”, conta emocionada ao citar que uma das últimas palavras dele antes de ir para o Centro de Terapia Intensiva (CTI) foi de apelo pelo uso da máscara. 

Mais entrevistas 

Março é o mês dedicado às lutas, conquistas femininas e ao Dia Internacional das Mulheres. A data, celebrada no dia 8, representa todos os avanços históricos conquistados a partir de muita força e determinação de tantas ativistas mundo afora.

Neste 8 de março, a Prefeitura de João Monlevade lança uma série de entrevistas com o tema: Mulher e Pandemia. Foram convidadas mulheres de nossa cidade para falar de várias questões como o luto, a violência doméstica, a terceira idade, a luta das mulheres negras, a mãe, a enfermeira na linha de frente contra o coroavírus e tantas outras mulheres que contaram um pouco de suas histórias neste momento de isolamento social.

Além de Elizabete Farias, nesta semana, as entrevistas serão com:

Juliana Barbosa: jovem ligada a Pastoral Afro e ex-conselheira tutelar, moradora do bairro Santo Hipólito.

Elivânia Felício: advogada e presidente da Associação Mulheres em Ação (AMA).

Mônica Cristina Couto: enfermeira do Hospital Margarida no Centro de Terapia Intensiva (CTI).

Rosângela Ribeiro: médica psiquiatra que trata sobre a ansiedade neste momento de pandemia.

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