Espécie de mosquito pode ter criado um novo ciclo de transmissão do vírus da febre amarela

Pesquisadores descobriram uma espécie de mosquito que pode carregar o vírus da febre amarela silvestre para regiões urbanas. Os insetos foram capturados no ano passado, nos municípios de Alvarenga e Itueta, no leste de Minas Gerais, perto da divisa com o Espírito Santo.

O mosquito é da espécie Aedes albopictus – um primo do Aedes aegypti, conhecido como Tigre Asiático. Para o diretor do Instituto Evandro Chagas, Pedro Vasconcelos, a grande quantidade de macacos infectados pelo vírus da febre amarela pode explicar a contaminação dos mosquitos.

O Aedes albopictus também transmite dengue e, em alguns países da Ásia, o vírus zika. Não se sabe se existe a relação desse mosquito com os casos de zika no Brasil.

Os cientistas vão estudar mais amostras do inseto em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Em 60 dias vão saber se o Tigre Asiático leva o vírus da febre amarela silvestre para as cidades.

No Brasil, a febre amarela tem dois ciclos: a silvestre, transmitida por mosquitos Haemagogus e Sabethes, na região de matas e que contamina principalmente os macacos; e a febre amarela urbana, transmitida pelo Aedes aegypti, e que atinge os humanos.

Desde 1942 o país não registra casos de febre amarela urbana. Agora, os pesquisadores investigam se o Trigre Asiático criou um ciclo intermediário entre a febre amarela silvestre e a urbana. Isso nos colocaria ao lado de regiões da África, onde também existe um ciclo intermediário da doença.

Pedro Vasconcelos destacou que o objetivo é saber se a quantidade de vírus que o Tigre Asiático carrega é inofensiva ou se pode transmitir febre amarela.

Desde o dia primeiro de julho do ano passado, o Ministério da Saúde confirmou 407 casos de febre amarela e 118 mortes. Os estados mais afetados foram São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e o Distrito Federal.

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