Gerente do Centro de Apoio ao Trabalhador do Sistema Nacional de Emprego (CAT/Sine), Maria Goretti Silva Navarro (Fotos: Maria Tereza Bicalho)

A falta de qualificação profissional é uma das causas apontadas pelo número de desempregados em João Monlevade. O assunto foi tratado na Câmara de Vereadores em audiência pública que debateu a situação do desemprego na cidade. O evento ocorreu na tarde da última terça-feira (6) e contou com participação de vereadores, entidades de classe, empresas e órgãos públicos.

A gerente do Centro de Apoio ao Trabalhador do Sistema Nacional de Emprego (CAT/Sine), Maria Goretti Silva Navarro, foi quem apresentou os números de encaminhados a postos de trabalho. Ela apontou que de 1º de janeiro a 31 de maio de 2017, foram atendidas pelo CAT 7.838 pessoas. Desse total, 2.557 pessoas foram encaminhadas a vagas de trabalho, sendo que apenas 321 foram inseridas no mercado. “Este ano, conseguimos captar apenas 434 vagas. Percebemos que o que falta é qualificação dos profissionais. Muitas vezes, ficamos com vagas em aberto por um longo período devido à falta de profissional qualificado para preenchê-la”, explicou.

De acordo com Goretti, no período de Goretti disse, ainda, que nesse cenário de crise as empresas têm exigido profissionais multifuncionais, ou seja, que desempenham mais de uma função. “Antes, as empresas solicitavam um supervisor de obras e um motorista, por exemplo. Hoje, elas querem um supervisor de obras que tenha carteira de habilitação para fazer as duas funções, mas recebendo apenas por delas”, comentou.
Para a gerente do CAT/Sine, uma solução para melhorar o cenário no município seria que o poder público, juntamente com entidades locais, viabilizasse a realização de cursos de aperfeiçoamento gratuitos aos profissionais que estão fora do mercado de trabalho.

Distrito Industrial e Incubadora para atrair investimentos

O presidente da Comercial e Industrial de Monlevade (Acimon), Carlos Arthuso, Carlos Arthuso, apresentou algumas ações para alavancar o desenvolvimento de Monlevade pela perspectiva da associação. Segundo o empresário, seria importante a criação da Secretaria de Indústria e Comércio no município a fim de fomentar o setor criando novas oportunidades. Além disso, Carlos Arthuso ressaltou a importância de a Prefeitura Municipal investir na infraestrutura do Distrito Industrial.

“O local não tem estrutura adequada para receber novas empresas. É necessário que a Administração faça investimentos no Distrito como pavimentação, melhoria da iluminação e construção de galerias de rede pluvial”, apontou.

Além disso, o empresário reforçou a importância de se reestruturar a Incubadora de Empresas, localizada no bairro Baú. “Precisamos criar condições para que empresas de pequeno e médio porte consigam se desenvolver por si sós. Hoje, a Incubadora tornou-se um local para cessão de espaço”, declarou. Com o objetivo de recuperar a Incubadora, a Acimon está fomentando uma parceria com o Sebrae, Prefeitura e Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). De acordo com Carlos Arthuso, a proposta é incubar as empresas por um tempo determinado e capacitá-las para se firmarem no mercado de trabalho.

Arcelor deve terceirizar 2 mil vagas ainda neste ano

O gerente de Recursos Humanos da Usina, João Carlos Guimarães, também presente ao encontro, ressaltou a colocação sobre a qualificação profissional e pontuou que o nível de candidatos a vagas de emprego na empresa está em declínio. “Existe, sim, mão de obra qualificada na cidade. O que falta é experiência. Apesar de conseguirmos profissionais qualificados, a maioria não tem experiência na área para a qual se candidatou. Assim, precisamos, muitas vezes, recorrer a candidatos de outros municípios”, explicou.
Outro ponto destacado por João Carlos está atrelado ao fato da crise que assola o país e também o município ser um fator que impede que a ArcelorMittal invista mais em Monlevade.

“Em momento nenhum, desde o início da crise, abandonamos o projeto de expansão da unidade. A gente sabe que essa crise vai passar, que voltaremos à normalidade, mas não sabemos quando isso vai acontecer. É preciso que Monlevade se readéque à atual realidade econômica para aproveitar as mínimas oportunidades que possam surgir”, concluiu. O gerente enfatizou ainda que dos meses de julho a agosto deve haver contratação de 2 mil pessoas para trabalharem em empresas terceirizadas que farão obras de reforma dentro da usina de Monlevade.

Ao fim da audiência, ficou definido que o vereador Belmar Diniz, autor do encontro, juntamente com os demais vereadores, elaborem um documento com as sugestões apresentadas durante a audiência a fim de avaliar quais medidas seriam viáveis colocar em prática a curto prazo para melhorar o panorama do desemprego no município.

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