Ficção x Realidade

Ficção x Realidade
As histórias aqui contadas são ficção. Na dúvida, qualquer semelhança com fatos, histórias e personagens terá sido mera coincidência. Ou não.

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Ana Lima
A competente, dedicada, religiosa e recatada Ana Lima foi participar de um congresso sobre relações familiares. Ao chegar, foi muito bem acolhida pelas recepcionistas que trataram logo de credenciá-la.
Com o crachá no pescoço, estranhou como as pessoas a olhavam como se ela fosse a atração do evento. “Não deve ser nada”, pensou e tomou assento. Pouco tempo depois, seu marido chega, se desculpa pelo atraso, fazem uma “self” e ele cai na gargalhada. Ela, muito equilibrada, quis saber motivo da piada. Brincalhão, o amado marido disse sorrateiramente: “olhe para sua credencial”.
É que a cordial moça da recepção, para não atrasar a entrada dos participantes, estava abreviando os nomes e sobrenomes de quem chegava. Ana Lima então foi escrito em letras garrafais: “ANAL.”, assim mesmo, sem sequer ter espaço entre o nome principal e primeira letra do sobrenome. Corada de vergonha, retirou o crachá e guardou. Mas o marido brincalhão não perdeu tempo. Mandou a self no grupo da família e dormiu uma semana no sofá da sala.

Lili
Lili era uma garotinha que gostava de ler. Lia tudo o que via pela frente. Um dia viu a história da vovó Naná, que pediu a desastrada netinha para buscar um litro de leite na vendinha. Na volta, a netinha tropeçou e o leite derramou. A menina chorou com medo de apanhar. Mas a amável vovó a abraçou e disse: não se preocupe, conseguiremos outro.
Lili emocionou-se com o amor da vovó e lembrou-se de que precisava buscar o leite do irmãozinho, ainda em idade de amamentação. Foi à venda e na volta também tropeçou e deixou cair o leite. Porém, a mãe de Lili não era lá aquele poço de tolerância. Com medo de apanhar, também começou a chorar. A mãe veio saber o que era e foi logo dizendo: “vá na vizinha Maria e pergunte se ela tem algum leite para nos emprestar”.
E Lili foi aliviada, pois esperava pelo menos um beliscão. Quando voltou da vizinha, entregou o leite para a mãe e antes que saísse para brincar “ganhou” um coro que nunca mais esqueceu. Hoje, moça feita, nunca mais Lili deixou sequer um copo d’água cair no chão. E desde aquele dia parou de acreditar em “contos de fada”, porque a realidade da vida é muito mais cruel do que os contos que ela lia em qualquer lugar.

Lucas
Lucas, aos 18, tirou carteira de motorista de primeira! Um orgulho para todos de casa, já que aquilo pareceria ser um ritual de iniciação de masculinidade para os Teixeira, família de 11 irmãos homens, lá da cidade de Nazaré das Quebradas. Como era o mais novo e ainda não tinha dado mostras para a família de que era um macho alfa, um dos irmãos o chama para passear de carro pela cidade.
“Olha, Lucas, uma das coisas que as mulheres mais gosta é de ver um homem num carro. Quando encontrar uma e perceber que ela te deu bola, grite: gostosa!”. E saíram os dois.
Preocupado mais em seguir o conselho do irmão que com a direção, avistou duas moças conversando na esquina. Acelerou, gritou “gostosa”, passou direto no cruzamento, quase bateu numa ambulância, perdeu o controle do carro e entrou com tudo dentro da única agência bancária da cidade. Por sorte, os dois só tiveram arranhões.
Em casa, Lucas trancou-se no quarto e há dias que diz que não quer ver ninguém. As poucas vezes em que aparece para comer, deixa claro aos 10 irmãos que não é eleitor de Bolsonaro e que quer ficar em paz ouvindo Pabllo Vittar.

Breno Eustáquio é jornalista e professor

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