Funcionários do Cresb apresentam “carta denúncia” sobre fechamento da unidade

Vereador denuncia que prontuários de pacientes estão no DVO e líder da prefeita barra requerimento com pedidos de informações

O dentista Antônio Bezerra Neto foi quem leu a carta na Tribuna da Casa

Em busca de respostas sobre o fechamentos para reformas do Centro de Referência em Saúde Bucal de João Monlevade(Cresb) servidores da unidade estiveram na Câmara de Vereadores na última quarta-feira (22) durante o encontro semanal dos parlamentares.

Eles elaboraram uma “carta denúncia”, que foi entregue aos vereadores e ao público presente. No documento, os funcionários afirmam que foram pegos de surpresa com o fechamento do Cresb. Eles temem que o local, que funciona há 19 anos, possa ter o mesmo fim do Pronto Atendimento, ou seja, não volte a operar.

O dentista Antônio Bezerra Neto foi quem leu a carta na Tribuna da Casa: “temos consciência que o serviço precisa ser melhorado principalmente nas condições de trabalho e atendimento da população, mas tudo feito dentro de um planejamento coerente e com prazos definidos de início e fim como também o conhecimento da população usuária, o que não foi feito. O Cresb tem um arquivo de 1.500 pacientes, e em seu atendimento são seis dentistas dia (…) com aproximadamente 1.500 pessoas atendidas por mês (…)”.

Em um trecho da carta, os servidores questionam como fica o atendimento de pacientes com agenda para o ano que vem: “apesar de não concordarmos com a agenda aberta, ela foi implantada recentemente e já tem paciente agendado para o início de 2019 e isso também não foi considerado, como também a pouca estrutura das unidades que o serviço ficará dividido, pois o instrumental e material de consumo será o mesmo que o Cresb tem no momento e já é inadequado com o serviços concentrado num só lugar”.

A preocupação com pacientes e mais falta de informações são explícitas em mais um pedaço do documento: “a falta de respeito com os usuários continua, pois não foi levado em consideração o local de residência, tratamentos já iniciados, riscos de saúde bucal, se são idoso, custo de deslocamento e outros. A certeza da falta de conhecimento técnico é tão absurda para essa ação intempestiva que não avaliaram o prejuízo que irá acarretar ao restante do serviço de saúde bucal. (…) Há anos estamos alertando sobre o sucateamento que acontece e não temos respostas. (…) Não é do nosso interesse uma ‘queda de braços’ com a administração, mas a falta de diálogo e transparência gera prejuízo a todos”, finaliza a carta denúncia que é assinada pelos profissionais do Cresb.

Funcionários do Cresb ficaram de costas enquanto o vereador Sinval discursava na Tribuna, como forma de repúdio à fala do parlamentar

Informações negadas

Os vereadores estavam indignados com o fechamento do Cresb e expuseram a revolta na Tribuna da Câmara. Os discursos, embasados na falta de diálogo com a administração municipal, imperaram.

O presidente da Comissão de Saúde da Casa, Revetrie Teixeira (MDB) falou que é contra o fechamento e que a situação será avaliada. Do mesmo partido, Carlos Roberto Lopes (pastor Carlinhos) salientou que para ele está certo o fechamento definitivo da unidade de saúde bucal.

Já do PDT, Thiago Araújo (Titó, alegou que não há informações precisas e que o diálogo não é prioridade do governo. O discurso dele foi endossado pelos petistas Belmar Diniz e Gentil Bicalho.

Da base governista, o tucano Guilherme Nasser, foi além. Ele também criticou o fechamento do Cresb e denunciou que prontuários de usuários estão amontoados em um canto da Secretaria de Obras. “Quero ver o recurso da reforma. E a licitação, cadê?”, questionou. O presidente da Casa, Djalma Bastos (PSD) enfatizou que a administração precisa ter consciência que o serviço [Cresb] não pode acabar. “Fechar esse serviço nessa situação é triste para João Monlevade”, finalizou.

O único a defender a situação foi o líder do governo, Sinval Dias (PSDB). O discurso dele foi assistido de costas pelos servidores presentes. “Hoje reclamam [do fechamento]e daqui a seis meses vão bater palmas”, falou o tucano dando a entender que a “reforma” do Cresb pode durar muito mais do que a prefeita Simone anunciou.

Sinval também pediu vista a um requerimento da Comissão de Saúde da Câmara que pedia o envio de um ofício à Secretaria Municipal de Saúde, solicitando esclarecimentos sobre o fechamento do Cresb.

Entre as perguntas, a Comissão pedia resposta sobre prazo da reforma, custo da obra, projeto do serviço de melhoria, informações repassadas aos usuários, remanejamento dos funcionários, locais que serão encaminhados os equipamentos odontológicos e onde estão os prontuários dos pacientes – que segundo a legislação, devem ser arquivados por 20 anos.

Membro da Comissão de Saúde, Belmar Diniz, lamentou a atitude de Sinval. “Queríamos só conversar e que a administração tivesse um diálogo com essa Casa e senhor impediu. Esta postura nos deixa magoado e chateado. Será que o senhor se vendeu?”, falou o petista.
Sinval alegou que o Regimento Interno da Câmara o autoriza a pedir vistas e que a ação dele foi para que ele se inteire mais sobre a questão.

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