Hospital Margarida tem déficit mensal de R$ 300 mil e vai avaliar se mantém “leitos do Covid-19”

Comissão solicita informações detalhadas sobre os gastos do Hospital Margarida no enfrentamento ao Coronavírus (Maria Tereza Bicalho – Acom CMJM)

Na manhã dessa terça-feira (29), a Comissão Especial formada para acompanhar a utilização das verbas municipais utilizadas no enfrentamento do Coronavírus (COVID-19) se reuniu com representantes do Hospital Margarida no Plenarinho da Câmara Municipal.

O objetivo do encontro foi esclarecer dúvidas referentes aos recursos recebidos pela casa de saúde para o enfrentamento da COVID. O objetivo da comissão é tornar mais transparente a aplicação da verba de R$5,1 milhões recebida pelo hospital e garantir a qualidade na prestação dos serviços.

De acordo com Ricardo Torres, consultor financeiro do Margarida, o hospital hoje tem entre receitas e despesas orçamentárias regulares, um déficit de R$300 mil por mês. “Com a Portaria nº 1.769, ficou determinado que os hospitais receberiam uma verba para o enfrentamento da pandemia. Se trata de um valor de R$1.600,00 por leito de CTI dia”, ponderou.

Ricardo disse, ainda, que o valor de R$5,1 milhões foi repassado ao hospital em três parcelas, sendo a primeira em junho, chamada de auxílio emergencial. “Nós não podemos retroagir o que foi gasto no início da pandemia. O que nós colocamos em caixa foi o hospital (recurso próprio) e a ajuda da ArcelorMittal no valor de R$1,3 milhão, que foi a soma de quatro meses de repasse (a última parcela foi repassada no início de setembro). Fomos questionados pelo Estado se o hospital iria continuar ou não o atendimento dos 15 leitos de CTI destinados ao COVID. O Margarida foi um dos poucos que disse que iria avaliar mês a mês. Porque temos recurso para manter por um mês o atendimento sem o recebimento de uma nova verba já que não temos certeza se mais recursos irão chegar. Por isso, precisamos ter precaução para administrarmos isso”, destacou Ricardo.

A diretora administrativa do Margarida, Jussara Ferreira, abriu o encontro dizendo que a nova diretoria do hospital assumiu no dia 17 de março, logo no início da pandemia. A partir de então, foi formada uma comissão interna com o objetivo de verificar quais procedimentos seriam necessários para estruturar a casa de saúde para o enfrentamento do Coronavírus.

Hospital se viu obrigada a se estruturar

“A princípio, reestruturamos o ambulatório com cinco leitos de UTI que era o número de respiradores que a gente poderia deixar disponível naquele momento e três leitos de enfermaria. Além disso, fechamos o ambulatório destinado ao atendimento de convênios e transferimos todo o atendimento para o Pronto Socorro. Com isso, foi necessário implantar uma escala de plantão médico 24 horas. Também fomos obrigados a suspender todas as cirurgias eletivas, ou seja, toda a fonte de receita do hospital foi interrompida devido a uma determinação do Estado. A partir daí, fomos construindo um cenário de enfrentamento à pandemia para o hospital de acordo com o que o Estado havia preconizado”, explicou.

Ainda segundo Jussara, como era necessário isolar uma área do hospital para o atendimento exclusivo a pacientes suspeitos de Coronavírus, optou-se pelo fechamento do quarto andar da unidade de saúde por se tratar de uma ala mais afastada das demais. Com isso, foram estruturados mais 10 leitos de UTI e outros 14 de enfermaria. “Nesse primeiro momento, tudo foi feito com recurso próprio, o que gerou um impacto financeiro muito grande para o hospital”, salientou.

Diante disso, a Comissão Especial vai encaminhar um novo ofício ao hospital solicitando informações mais detalhadas a respeito de todos os recursos recebidos, como cada um foi aplicado e qual a disponibilidade em caixa do Margarida para continuar mantendo os leitos destinados a pacientes com COVID. “Temos que cuidar do hospital porque ele é nosso. E como fiscalizadores, esse é o nosso papel. Nosso objetivo é buscar sempre o melhor tanto para o hospital quanto para o cidadão que recorre até ele para atendimento”, enfatizou o vereador Revetrie, que é presidente da Comissão de Saúde, Saneamento Básico e Meio Ambiente da Casa.

Presentes

A reunião contou com a presença dos vereadores membros da Comissão – Belmar Diniz, Pastor Carlinhos, Guilherme Nasser, Revetrie Teixeira e Toninho Eletricista, além dos parlamentares Djalma Bastos e Sinval Dias. Pelo hospital, participaram o consultor financeiro Ricardo Torres; a diretora administrativa Jussara Ferreira; o advogado Filipe Ivens Duarte; Alexandra Fuscaldi (financeiro) e Marcela dos Santos Marques (comissão de enfrentamento ao COVID).

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