A missa festiva, em ação de graça à reabertura da igreja, lotou e centenas de fiéis não conseguiram entrar na capela

Sob as bençãos de Nossa Senhora do Rosário, as guardas de marujos e os fiéis deram início à cerimônia de reabertura da Igreja Nossa Senhora do Rosário. O cortejo à santa, rumo ao templo revitalizado, saiu da Catedral de mesmo nome.

Durante a procissão, o prefeito Ronaldo Magalhães e o secretário de estado da Cultura, Ângelo Oswaldo de Araújo Santos, já se encontravam na capela. Contemplando o local, “maravilhoso” foi o adjetivo encontrado pelo secretário para definir o trabalho realizado. “A reforma da Capela do Rosário de Itabira é uma iniciativa de grande importância para a valorização do patrimônio cultural itabirano, mineiro e brasileiro. E é uma grande alegria poder ver a igreja restaurada em sua grandiosidade de um monumento artístico que merece o carinho de todos. Esse trabalho ficou realmente maravilhoso”.

Ângelo Oswaldo também ressaltou a forma de execução da obra. “Foi essa união de esforços, um exemplo para todos, que permitiu a recuperação da capela, que há algum tempo necessitava dessa intervenção. Eu disse ao prefeito Ronaldo Magalhães que ele oferece um exemplo, porque ninguém faz nada sozinho e ele soube articular muito bem a participação da comunidade itabirana, trazendo o apoio da paróquia, para que esse trabalho pudesse ser concluído”, analisou o secretário estadual.

A missa festiva, em ação de graça à reabertura da igreja, lotou e centenas de fiéis não conseguiram entrar na capela. A celebração foi feita pelos bispo da Diocese Itabira/Coronel Fabriciano, dom Marco Aurélio Gubiotti e padre Márcio Soares, pároco geral da Catedral Nossa Senhora do Rosário e, consequentemente, responsável pelo “Rosarinho”. Em seus agradecimentos, durante a celebração, dom Marco Aurélio lembrou que nunca esteve na capela – fechada há mais de cinco anos. “Não tive o prazer de entrar nesta igreja. Quando cheguei à diocese, ela já estava fechada. Eu passava aqui na porta sempre e olhava com uma certa tristeza para esta igreja”, revelou o bispo.

Já em seu discurso, após o culto, padre Márcio agradeceu aos esforços da comunidade – que contribuiu financeiramente para a compra dos materiais da reforma – da Prefeitura – que forneceu mão de obra e equipamentos – do Ministério Público e dos funcionários da Empresa de Desenvolvimento de Itabira (Itaurb) que trabalharam na recuperação da igrejinha. Em homenagem a eles, a Diocese os presenteou com placas de agradecimento. Além disso, o padre anunciou a próxima campanha da paróquia. “Ainda precisamos da ajuda de todos para concluirmos o próximo passo, que é a restauração das pinturas artísticas e do altar”, destacou o pároco.

Para o prefeito Ronaldo Magalhães, a reabertura da igreja é um momento muito especial para cidade, “pois resgata e valoriza a cultura, justamente por se tratar de um patrimônio histórico”. O prefeito lembrou ainda, que a última reforma executada na capela teria ocorrido em sua primeira gestão, no ano de 2002. “Há 15 anos nós a reformamos, ou seja, ela já precisava de uma nova revisão há bastante tempo”. No entanto, segundo Ronaldo, quando a Paróquia buscou a ajuda da Prefeitura para a recuperação da igreja, surgiu a ideia de unir forças. “Dissemos ao padre Márcio que estamos passando por um momento difícil financeiramente, mas, se ele ajudasse, juntamente com a comunidade, poderíamos resolver o problema”, ressaltou o prefeito.

Igrejinha

O secretário de estado da Cultura, Ângelo Oswaldo, ex-presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e ex-prefeito da histórica Ouro Preto, não pôde participar da cerimônia de reinauguração da igrejinha, devido a uma reunião com o governador Fernando Pimentel agendada poucas horas antes de sua chegada em Itabira. Mas, fez questão de uma visita criteriosa ao patrimônio.

Quem acompanhava o secretário teve a oportunidade de receber uma aula de história e cultura. “Essa igreja é uma referência do acervo de arte sacra do nosso país. Ela guarda até a memória de um verso muito querido de Carlos Drummond de Andrade, onde ele referiu várias vezes a esta capela (“Olha o dragão na igreja do Rosário / Amarelo dragão envolto em chamas / Não perturba os ofícios”) e ao santeiro Alfredo Duval”, refletiu Ângelo Oswaldo.

Além de Drummond, o secretário dissertou sobre outras referências contidas na construção. “É uma igreja muito importante, ela preserva as nossas matrizes afrobrasileiras, o culto à Nossa Senhora do Rosário, que era a madrinha dos negros e os santos negros como Efigênia e Benedito, que estão no altar-mor. Então, há aqui uma soma de pinturas à cultura afrobrasileira, à cultura barroca, ao estilo rococó que nós vemos nessas belíssimas pinturas”, concluiu Ângelo Oswaldo.

A construção do “Rosarinho” remonta aos anos de setecentos. Porém, a data exata é imprecisa, já que existem duas versões. A primeira diz que a igrejinha teria sido edificada pelo padre Manoel do Rosário, em 1705. A outra, encontrada nos escritos de Saint Hilaire, dá o crédito aos irmãos Albernaz, que chegaram em 1720. No entanto, em 1757, recebeu uma pia batismal e, através de outra, em 1770, pode ser erigida.

Manteve-se matriz a partir de dezembro de 1825, quando o povoado foi elevado à categoria de freguesia e, mais tarde, foi demolida pela necessidade de local mais espaçoso e que coubesse mais fiéis. Assim, a “nova” Igreja Matriz foi construída e, no lugar da antiga, criou-se um cemitério. A atual construção foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1949.

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