O ex-presidente Lula contra-atacou seus adversários nesta quinta-feira, 15. O petista reagiu à Lava Jato, que o acusa de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá.

“Eu não tenho a vocação do Getúlio (Vargas) de me dar um tiro”, disse Lula. “Eu não tenho a vocação do Jango de sair do Brasil. Portanto, se eles quiserem me tirar vão ter que disputar comigo nas urnas. Eles achavam que eu estava vencido.”

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Lula disse que ‘nesse país tem pouca gente com a vida mais publica, mais fiscalizada do que a minha’. A Procuradoria da República, no Paraná, denunciou o petista, sua mulher Marisa Letícia e mais seis investigados por corrupção e lavagem de dinheiro na Lava Jato. Para o Ministério Público Federal, o ex-presidente é o ‘comandante máximo do esquema de corrupção’ instalado na Petrobrás.

As acusações se referem ao recebimento de vantagens ilícitas da OAS por meio da reforma do triplex 164-A, no Guarujá (SP), e o armazenamento de bens do acervo presidencial. Segundo a denúncia, Lula recebeu R$ 3,7 milhões de propina da empreiteira.

Parte do valor está relacionada ao apartamento: R$ 1,1 milhão para a aquisição do imóvel, R$ 926 mil em reformas, R$ 342 mil para cozinha e imóveis, além de R$ 8 mil para eletrodomésticos. O armazenamento dos bens custou R$ 1,3 milhão.

Associação do MPF defende procuradores e critica “deturpação” de falas

A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) divulgou nota em apoio aos procuradores da Força Tarefa da Lava Jato que realizaram a denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a associação, os integrantes do grupo que atua em Curitiba cumpriram “legitimamente o dever e direito de informar a população” ao realizarem coletiva de imprensa sobre a acusação contra o petista.

“É sob o olhar de seu povo que se constrói um país realmente democrático. E para isso a liberdade de imprensa, o amplo acesso às informações e o livre debate público são essenciais. Entretanto, nesse contexto, não se configura legítima qualquer manipulação ou deturpação de frases ditas no exercício do dever de esclarecimento à população”, escreveu o presidente da ANPR, José Robalinho.

Diversos sites e postagens nas redes sociais reproduziram uma frase atribuída aos procuradores sobre o caso de Lula: “não temos prova, mas temos convicção”. A assertiva, no entanto, não foi dita na coletiva. Na verdade, a frase é uma junção de duas falas de procuradores diferentes durante a entrevista a jornalistas.

O procurador Deltan Dallagnol afirmou que o Ministério Público possui convicção de que Lula é comandante do esquema criminoso. Já o procurador Roberson Pozzobon falou que não há “prova cabal” de que Lula é proprietário do tríplex no Guarujá, alvo das investigações.

O presidente da ANPR considerou que os procuradores foram “didáticos e extensivos”. “Configura-se em discurso político e/ou em estratégia de defesa, sem compromisso com a verdade, deturpar falas dos Procuradores da República nesta ocasião. Nenhuma verdade pode ser construída pela edição de frases e repetição de uma mentira. A convicção da Força Tarefa fundamenta-se em provas robustas reunidas em investigações sérias”, escreveu Robalinho.

A defesa de Lula protocolou um pedido de providências no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) contra os procuradores da Força Tarefa da Lava Jato que denunciaram o petista. Na peça, a defesa de Lula pede que o órgão analise a conduta dos três procuradores da República, sob argumento de que houve desvio funcional, e determine que eles se abstenham de fazer comentários políticos usando a estrutura do Ministério Público Federal. Segundo os advogados, a conclusão de que Lula era o arquiteto do esquema de corrupção é fantasiosa, “um arroubo retórico incompatível com a atuação de Procuradores da República”.

A defesa do ex-presidente argumenta que os procuradores não só fizeram a apresentação da denúncia à imprensa, mas realizaram um “verdadeiro espetáculo com o intuito de enxovalhar a imagem e a reputação” de Lula e Marisa. Segundo os advogados, a atuação dos procuradores consistiu em uma “condenação prévia” do petista e, portanto, é incompatível com a garantia da presunção de inocência.

Robalinho defendeu em nota o trabalho da Força Tarefa, que classificou como “profissional, e republicano, além de submetido à contínua observância do devido processo legal, e estar sob supervisão do Poder Judiciário independente e técnico do País, em especial a 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba, a quem cabe a análise do recebimento da denúncia”.

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