Mãe que matou bebê por causa de choro é condenada a 24 anos de prisão

O1º Tribunal do Júri de Belo Horizonte condenou a jovem Jéssica Nunes Mateus, de 26 anos, acusada de ter asfixiado a própria filha, de nove meses de idade, em janeiro de 2016 no bairro Ribeiro de Abreu, em Belo Horizonte. Ela está presa desde 24 de maio de 2016. O julgamento da mulher ocorreu ontem, 23 de julho.

Os sete jurados (cinco mulheres e dois homens) reconheceram a ocorrência de homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima). As testemunhas foram dispensadas. O juiz Thiago Colnago Cabral arbitrou a pena em 24 anos de prisão em regime inicial fechado.

noticia-juri-forum-bh.jpg
O juiz Thiago Colnago Cabral lê a sentença no I Tribunal do Júri (Raul Machado/TJMG)

A acusação foi feita pelo promotor Luiz Felipe de Miranda Cheib. De acordo com a denúncia, recebida pelo Judiciário em maio de 2016, o choro da criança levou a mãe a asfixiar a menina e ela tinha consciência do que fazia. Na delegacia, a acusada chegou a alegar que a bebê havia engasgado com o leite, mas depois confessou que havia sufocado a bebê, porque ela não parava de chorar mesmo após ter se alimentado.

A ré foi representada pelo defensor público Marco Túlio Frutuoso Xavier, que alegou que ela já foi diagnosticada com depressão e esquizofrenia e toma vários remédios, tendo inclusive ficado internada nesse período. Na época dos fatos, ela alegou que não estava medicada, teve episódios em que surtava e agredia as pessoas. Disse que não conseguia ficar com a criança por longo tempo porque o choro a incomodava.

A jovem contou, além disso, que apanhou na cadeia. Relatou que sofreu abuso sexual do irmão na infância, até completar 10 anos. Segundo informou, na data dos fatos, ela amamentou a criança, não a colocou para arrotar e dormiu. Ao acordar viu a menina se debatendo e pensou que ela estava engasgando. Declarando ouvir vozes que mandavam que ela o fizesse, tampou o nariz e a boca da filha nesse momento.

A sentença de pronúncia do juiz Ricardo Sávio de Oliveira data de 11 de agosto de 2017. O magistrado se baseou nas provas técnicas e depoimentos que apontaram a existência do crime de homicídio, cometido por motivo torpe, recurso que dificultou a defesa da vítima, meio cruel e ainda por ter sido realizado contra parente consanguíneo.

Publicidade

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Digite seu nome aqui