O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) desenvolve uma nova fase das investigações da Operação Carcinoma, (espécie de câncer) investiga um esquema criminoso instalado na administração da Associação de Assistência às Pessoas com Câncer (AACPEC).

Conforme a assessoria de comunicação do Ministério Público Estadual, a nova etapa foi iniciada na tarde de terça-feira (16), para o cumprimento de três mandados de prisão em desfavor de I.B.B.D (cunhada do casal de administradores da AAPEC, já presos, D.V.M (Gerente da Global que executava pagamentos para o casal) e O.D.Q (advogado e contador responsável pela contabilidade fraudulenta da associação, no período em que as ilegalidades ocorreram). Essas prisões foram efetuadas em Ipatinga e em Governador Valadares.

Conforme a assessoria do MP, a operação Carcinoma segue apurando os ilícitos que envolvam a AAPEC e as mais de 17 empresas ligadas ao clã criminoso.

Em decorrência da continuidade das investigações desde a operação do último dia 9, a prisão temporária de parte dos investigados presos naquela fase foi convertida em prisão preventiva.

O Gaeco (formado pelo Ministério Público e as polícias Militar e Civil) também informou que, nos próximos dias, será divulgado o nome do novo administrador provisório, nomeado para a associação, com o fito de proporcionar que a AAPEC desenvolva de forma apropriada os serviços assistenciais para os quais a entidade foi constituída e dos quais tinha sido desvirtuada.

Entenda

Denunciado por ex-funcionários, o esquema de desvio de dinheiro recolhido em doações feitas pela população foi desmontado a partir de investigações iniciadas no começo de 2016.

O Gaeco estima que aproximadamente 60% dos recursos arrecadados eram desviados no esquema, com o objetivo de enriquecimento ilícito dos administradores e seus apoiadores. Os valores envolvidos ainda são investigados, mas acredita-se que, de um milhão de reais arrecado, apenas uma parcela chegou aos assistidos pela entidade.

Na primeira fase, oito pessoas foram presas, entre elas, a presidente da AAPEC, Zilma Ferreira da Silva, 58 anos, o filho dela, Eduardo Silva de Souza, 33 anos, que de fato dirigia a entidade e a mulher dele, Dafny Sá Domingos, 28 anos, que também era administradora e estava à frente de empresas que supostamente foram montadas para lavar o dinheiro desviado da associação.

Além dos líderes, são investigados pelo Gaeco, por suspeita de envolvimento na má gestão da AAPEC, em Ipatinga, Maria Cecília Lima Oliveira, Ritchelly Sá Domingos. Em Coronel Fabriciano, Flávia Magalhães Fernandes, em Santana do Paraíso, Adnaldo Cardoso Gomes e, em Viçosa, Aline Moreira Lourenço, que era a gerente da associação naquela cidade.

Rede de desvios

Segundo os promotores de Justiça do Gaeco Ipatinga, Francisco Ângelo Silva Assis e Bruno Schiavo Cruz, a rede criminosa atuava em mais de cem municípios mineiros e envolvia mais de 17 empresas. A associação, criada em 2003, teria fugido, desde o princípio, de seus objetivos estatutários.

“Os representados usavam o associativismo e a finalidade de assistência a doentes acometidos de câncer e com vulnerabilidade econômica para captação de recursos públicos e privados, que eram revertidos em favor de empresas dos administradores, com assistência de um advogado, que fornecia a suposta blindagem jurídica para a prática dos crimes”, explicam os promotores.

De acordo com as investigações, dos quatro polos da associação no estado irradiavam inúmeras rotas para recolhimento de doações, que eram captadas por meio de empresas de telemarketing e de motoqueiros, de propriedade dos administradores da entidade. A Aapec também possuía convênio com o município.

De acordo com os representantes do MPMG, o dinheiro chegava em espécie de diversas cidades mineiras e, antes que fosse contabilizado, os administradores se apoderavam dele para pagamento de despesas pessoais, como viagens, alimentação, personal trainer, festas, seguro, água, luz, cartão de crédito, entre outras. Apurou-se, ainda, que os administradores criaram um esquema para conseguir notas frias de combustível. Usadas para fazer a cobertura de caixa, elas não correspondiam aos reais gastos da associação com gasolina.

“O que se vê na criação da Aapec, desde seu início, foi a perpetuação de poder, com estabelecimento de cargo vitalício para presidente, criando uma fonte eterna de renda para uma família que, no proveito da desgraça alheia, viu a oportunidade para se manter na riqueza”, afirmam os promotores de Justiça.

Depoimentos colhidos demonstram que o grupo era ligado por parentesco sanguíneo e por afinidade, de modo a manter a organização em funcionamento, com laços de comprometimento e silêncio.

Administrador judicial

A fim de resgatar o objetivo assistencial da associação, um administrador judicial foi nomeado, em Ipatinga, nesta terça-feira. Ele ficará responsável por aplicar devidamente o montante de dinheiro bloqueado e apreendido durante a operação.

“Vamos analisar, junto a ele, de que forma o MPMG poderá contribuir nesse processo e traçar os próximos passos. Fatos como esse acabam gerando um descrédito grande para muitas outras entidades que fazem um serviço assistencial de verdade. Por isso, é importante que elas ajam sempre com o máximo de transparência, para continuarem a receber doações”, orientou Francisco Ângelo.

 

Fonte: Diário do Aço

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