Não é só no Rio Grande do Sul que as vinícolas estão instaladas. Há cada vez mais regiões produtoras no país. Foto: ilustração/Pixabay

Champagne, Bordeaux e Borgonha estão para os produtores de vinhos franceses, assim como Bento Gonçalves, Caxias do Sul e Flores de Cunha estão para os brasileiros.

O Brasil registrou a melhor safra de toda a história da vitivinicultura nacional em 2020. A grande maioria das garrafas vem do Sul do país, onde a geografia favorável, os anos de experiência e a adoção de tecnologia tornaram a região a nossa principal produtora de vinhos.

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O Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) afirma que o Brasil possui cerca de 1.200 vinícolas. 61% está localizada no Rio Grande do Sul e outros 30% ficam entre Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Pernambuco e Bahia.

A Serra Gaúcha registra 90% da produção de vinho nacional, mas o cultivo de uva tem se ampliado país afora, e atualmente abrange outros cantos do estado, Santa Catarina e até mesmo o árido Nordeste brasileiro.

As regiões abaixo fazem a roda girar em torno da produção das uvas. Do campo ao varejo e aos serviços associados ao bom vinho brasileiro, conheça o mapa do vinho nacional:

Rio Grande do Sul

A Serra Gaúcha é notadamente a principal região produtora brasileira. Por lá, estão as mais tradicionais vinícolas do país, como Miolo, Salton e Casa Valduga.

Bento Gonçalves é o centro da sub-região mais significativa, o Vale dos Vinhedos, que compreende também cidades como Garibaldi, Caxias do Sul e Flores da Cunha. Foi a primeira região do país a ser oficialmente reconhecida como Indicação Geográfica (IG) e posteriormente foi reconhecida como Denominação de Origem (DO).

No Vale dos Vinhedos, são produzidos rótulos que expressam a identidade de solos areno-argilosos ácidos e elevada pluviosidade. O destaque é o frescor de seus espumantes e o cuidado com seus tintos.

Com 82 km², trata-se de um vale com mais de 30 produtores de vinhos e derivados da uva, com média anual de 12 milhões de garrafas envasadas. Cerca de 450 mil visitantes passam anualmente pela rota, desfrutando de hospedagens, gastronomia e experiências herdadas da comunidade italiana.

O estado conta ainda com outras duas regiões representativas na produção nacional.

A serra do sudeste do Rio Grande do Sul produz uvas nobres, tintas e brancas, como Merlot e Sauvignon Blanc nas cidades de Pinheiro Machado e Encruzilhada do Sul.

Já da campanha gaúcha, na fronteira com o Uruguai, saem vinhos menos estruturados de uvas Tannat, Cabernet Sauvignon, Riesling, Chardonnay e Gewürztraminer no polo de Palomas, em Santana do Livramento, e, mais recentemente, em Bagé e Candiota, passaram a ser produzidas as castas portuguesas Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Roriz.

Santa Catarina

Nos anos 2000, uma nova região vitivinícola passou a chamar a atenção. É a região dos vinhos de altitude de Santa Catarina.

As cidades de São Joaquim, Caçador e Campos Novos são atualmente as regiões produtoras  de maior altitude do país. Elas estão situadas entre  900 a 1400 m e contam com o clima mais frio do Brasil, que dá à videira um ciclo mais longo com colheita tardia, propiciando a produção de vinhos e espumantes de alto padrão.

Além de seu “terroir”, o que potencializou a produção na região foi a implementação de pesquisa científica e assistência técnica aos produtores, bem como a adoção de tecnologia desde que a região despontou – ao contrário da Serra Gaúcha, onde não houve preparo na década de 70.

A região tem capacidade de produzir de 600 mil a um milhão de garrafas em uma área de vinhedos superior a 400 hectares. Atualmente, já são quase 200 rótulos originados por ali por vinícolas como Thera, Villa Francioni, Pericó e Quinta da Neve.

Em outras regiões do estado, como a Carbonífera, com os municípios de Urussanga, Pedras Grandes, Braço do Norte, Nova Veneza e Morro da Fumaça, e o leste do estado, em  Rodeio, Nova Trento , onde há uma histórica da produção de vinhos coloniais.

Vale do São Francisco

O Vale do São Francisco é composto por 503 municípios entre Bahia e Pernambuco.

Com altitude de 400 m, solos ricos em minerais, clima semi-árido de sol forte e baixa pluviosidade, o cultivo na região acontece com mais afinco há 25 anos, graças à irrigação controlada com a água do rio.

Essas peculiaridades, aliadas à poda das videiras, permite que a região faça de duas a três colheitas ao ano, ao contrário do Sul do país, que realiza apenas uma entre fevereiro e março.

O Vale do São Francisco produz cerca de 7,5 milhões de litros de vinhos finos a partir de videiras aclimatadas como Moscatel, Cabernet Sauvignon e Syrah, além de 10 milhões de litros de vinhos de mesa. A região também produz suco e uvas in natura para consumo interno e exportação.

Em Pernambuco, no município de Santa Maria da Boa Vista, a empresa Vinibrasil elabora todo o tipo de vinho da linha Rio Sol. Já no lado baiano, em Casa Nova, vinícolas mais tradicionais, como Miolo e Lovara, produzem brancos secos e doces, tintos e espumantes.

O mapa do vinho brasileiro tem potencial para continuar crescendo. Há regiões menos significativas, como o interior de São Paulo, o cerrado goiano e o estado do Paraná, que podem desabrochar como novos produtores no futuro.

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