Cerca de 70% dos trabalhadores e trabalhadoras da ArcelorMittal Monlevade – que tem um quadro de pessoal em torno de 1.000 funcionários diretos – votaram na assembleia realizada pelo Sindicato dos Metalúrgicos (Sindmon-Metal) na última quarta-feira (13), em dois horários, encerrando a campanha salarial deste ano. O Acordo Coletivo foi assinado na manhã desta sexta-feira (15).

Dos 715 votantes, 424 escolheram a opção de reajustar os salários a partir da data-base da categoria (1º de outubro) em 6,47%  e um novo benefício: cartão-alimentação mensal no valor de R$ 400,00. Esse percentual de reajuste corresponde a 60% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado nos últimos 12 meses desde outubro do ano passado, que ficou em 10,78%.

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Outra opção, que também integrava a proposta da empresa e previa reajuste pelo INPC integral, sem qualquer outro adicional, foi derrotada – contou com 278 votos. Apenas 11 pessoas recusaram ambas as opções e houve ainda dois votos nulos.

O Sindmon-Metal iniciou a campanha em agosto e, inicialmente, reivindicava reajustar salários pelo percentual de 13,16%, um abono de R$ 2.800 reais e cartão-alimentação de quinhentos reais. A primeira proposta da ArcelorMittal foi de conceder apenas o INPC acumulado nos últimos 12 meses até a data-base, mas fracionado em duas parcelas:metade em outubro, e a outra apenas em janeiro de 2022.

Melhor para a maioria

O Sindmon-Metal, embora não tenha defendido nenhuma das duas propostas em especial, por entender que a decisão cabia aos trabalhadores e trabalhadoras, demonstrou, durante a assembleia, que, para a maioria do pessoal da Usina, a opção que acabou aprovada é de fato a melhor.

Isso porque, para um salário em torno de R$ 3.000,00 (faixa da maior parte dos metalúrgicos e metalúrgcas da ArcelorMittal Monlevade), a soma dos 6,47% de reajuste mais o cartão-alimentação resulta em um ganho líquido de cerca de R$ 2.300 reais por ano frente à opção de aplicação integral do INPC sem qualquer outro benefício.  A diferença deixa de ser positiva em salários acima de R$ 6.000,00.

A diretoria considera também importante o fato de que, após décadas, a categoria, enfim, conquista mais um benefício, reivindicado há anos e sempre descartado pela gerência. “É claro que a proposta não é a ideal, mas sem dúvida foi uma vitória considerando a conjuntura. Negociar envolve equilíbrios, algum recuo em algum ponto para avançar em outro”, avalia o presidente do Sindicato, Otacílio das Neves Coelho.

Otacílio lembra também que, durante toda a campanha, o Sindmon-Metal manteve contato com outras entidades sindicais, para acompanhar como os acordos vinham sendo negociados e fechados. Esse acompanhamento permitiu avaliar as opções que a empresa levava à mesa negocial.

Mobilização

O presidente destaca o fato de que, sobre o valor do cartão-alimentação, a empresa procederá desconto de apenas 5% na folha de pagamento, enquanto a legislação do Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT) prevê 20%.

Esse novo benefício, como qualquer outra cláusula financeira do Acordo Coletivo, tem validade por 12 meses. Mas, durante a assembleia, diretores relataram que, em uma das reuniões, um executivo da ArcelorMittal Monlevade disse que não é tradição da empresa cortar benefícios. De qualquer forma,  diz Otacílio, “a mobilização, a caminhada em conjunto com o Sindicato, é que faz a diferença. Tudo que conquistamos é mantido pela ação coletiva”.

“É fundamental valorizar a luta sindical, porque sem ela não teríamos tido avanço algum. E, além de conquistarmos uma velha demanda da categoria, este ano conseguimos fechar acordo antes data-base, evitando tradicionais atrasos que aumentavam as perdas”, diz o presidente. Ele acrescenta: “uma boa forma de valorização é sindicalizar-se, bandeira que defendemos sempre nas assembleias”.

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