Militares são presos suspeitos de extorsão após acidente em Bom Jesus do Amparo

O comando da Polícia Militar disse que a prática dos policiais é inaceitável pela corporação e todos serão punidos. O que ainda está na ativa deverá ser expulso

O acidente ocorreu na manhã da última terça-feira (20), próximo da cidade de Bom Jesus do Aparo (Foto: Thalles Benício)

Militares do 26º Batalhão da Polícia Militar de Itabira prenderam, na última terça-feira, uma quadrilha suspeita de provocar acidentes com caminhões de carga e de extorquir os motoristas. Foram detidos um policial militar na graduação de Cabo da Reserva, que atuou em João Monlevade, um ex-PM, que segundo informações da polícia, foi expulso da corporação e um soldado ainda na ativa. Os militares, da ativa e da reserva, estão detidos no Batalhão em Ipatinga. Já o ex-policial encontra-se preso no presídio de Itabira.

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Segundo informações do Boletim de Ocorrências, eles cobravam R$1.500,00 para proteger a carga de possíveis saqueadores. Antes, porém, eles combinavam previamente com outras pessoas para, em caso de negativa do pagamento, iniciarem o saque das mercadorias.

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O crime

A prática criminosa foi descoberta na manhã desta terça-feira (20), após um acidente com um caminhão da empresa Vilma Alimentos, que tombou por volta das 7h na MG-434, altura do km 2, em Bom Jesus do Amparo. O motorista disse que seguia em direção a Itabira e o veículo tombou após ele ter desviado de um carro parado logo após uma curva, para evitar a colisão.

Ainda segundo o Boletim de Ocorrência, por volta de 9h20, o chefe de logística da empresa ligou para a PM avisando do acidente e disse que três indivíduos estavam no local, sendo que um deles estava armado com uma espingarda calibre 12, alegando que era policial. Ele também informou que para não ter a carga saqueada, os homens exigiram o pagamento de R$ 1.500.00. Quando chegaram à localidade, os militares visualizaram um homem que estava armado com uma arma de porte PT .40, e outro, que portava uma arma longa, calibre 12.

Percebendo a presença da PM, ele ocultou a arma de fogo dentro da cueca, que foi localizada e apreendida durante busca pessoal. O outro homem que estava com a arma longa também a dispensou e a jogou no interior do baú em meio às mercadorias. Ela foi localizada e identificada como Riote calibre 12, carregada com 5 munições. Além dela, foi localizada uma carteira com a foto de um militar fardado, vinculada à Associação das Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais, que o cidadão ocultou dentro da cueca.

Junto deles, também estava um terceiro homem armado, com uma PT. 40, de carga da Polícia Militar de Minas Gerais. A arma tinha 12 cartuchos intactos e o abordado foi identificado, posteriormente, como soldado da Polícia Militar.

Após a abordagem, foi possível identificar o motorista do caminhão acidentado, que confirmou que quem coordenou as atividades e solicitou a quantia de R$ 1500,00 para garantir que a carga não fosse saqueada foi o policial militar da Reserva. Ele também conversou por telefone com o gerente de logística da empresa, que combinou de fazer o pagamento em uma conta fornecida, para que a carga não fosse saqueada.

O motorista do caminhão também relatou que antes da negociação se concretizar, o homem armado falou que ia deixar as pessoas que estavam próximas do local saquearem a carga. Neste momento, pelo menos quatro homens que estavam na localidade começaram a retirar mercadorias, o que cessava quando a negociação era retomada. O ataque, segundo o B.O, só foi encerrado após acordo firmado com o recebimento de R$ 1500,00.

Comparsas

Os policiais interceptaram quatro cidadãos que faziam o transbordo da carga para outro caminhão, os quais alegaram que foram contratados para a atividade e cada um receberia R$ 100,00. Em conversa com o policial militar, ele alegou que não conhecia nenhum dos envolvidos e que seguia para Itabira em uma motocicleta, que foi apreendida por se encontrar com a documentação irregular. Ele argumentou que faria um atendimento, que não foi confirmado pela Polícia Militar. Outros dois envolvidos na ocorrência, que faziam transbordo da carga, são padrasto e irmão do militar.

O ex-policial alegou que possui um sítio na região de Bom Jesus do Amparo e que seguia no seu carro para Nova União. Ao passar pelo local do acidente, visualizou um amigo conversando com o motorista do caminhão acidentado e só parou para saber o que estava acontecendo, e em face de uma aglomeração de pessoas. Ele afirmou ainda que nada sabe dizer acerca do recebimento de dinheiro para que a carga não fosse saqueada e que não estava armado.

Todavia, ele foi visto pelos militares que atenderam à ocorrência jogando no interior do baú a arma de fogo calibre 12. Ainda foi encontrado com ele um espelho de Carteira Nacional de Habilitação (CNH), nº 878823954, em branco para inserção de dados. Segundo informações do B.O, o ex-policial militar foi excluído por envolvimento com facilitação ou vendas de CNH.

De acordo com a Polícia, ao serem entrevistados separadamente, verificou-se várias contradições em sua falas, aumentando ainda mais a suspeição de que provocaram o acidente para intervirem na atividade de escolta, todos foram presos por formação de quadrilha, posse de munição e porte de arma de fogo e extorsão, a qual não se consumou em face da intervenção policial.

Outro crime

No último sábado (17), ocorreu uma tentativa de homicídio em Bela Vista de Minas-MG, ocasião em que uma equipe se apresentou como responsável pela escolta da carga alvejou um homem com uma espingarda calibre 12. Ele foi socorrido em estado grave para o hospital Margarida, onde passou por cirurgia.

Segundo a Polícia, os suspeitos do envolvimento nessa ocorrência, em razão da semelhança da arma (calibre 12) que foi apreendida e ainda segundo denúncia chegada à Polícia Militar de João Monlevade, de que dois dos autores foram vistos no local do crime, eles foram presos em flagrante e conduzidos à Delegacia da Polícia Civil em Itabira, onde foram autuados em flagrante delito.

Materiais apreendidos

No carro do policial da Reserva, foram encontrados um porta algema, uma lanterna com 5 leds, 1 bastão de madeira, 1 cassetete, 100 lacres azuis, diversas munições de vários calibres, 3 bolsas de mão, 1 certificado de registro de arma de fogo espingarda cal.12mm, 2 baterias externas, 1 rolo de fita adesiva, 1 coldre, 2 pares de luvas, 2 carregadores de pistola .40, 2 tablets, 1 registro de porte de arma de fogo pistola taurus, 15 cartuchos intactos cal 12 mm modelo, 1 caixa contendo 12 recipientes de 500 ml de alho, 1 caixa com 15 pacotes de biscoito, 6 cartuchos 12mm vazios, 1 facão, 1 bastão retrátil, 2 relógios, 2 canivetes, 5 aparelhos celulares, 1 brevê de cabo PM, 1 tetra chave, 2 chaves de algema, 1 apito de trânsito, 1 chaveiro, 1 chave de motocicleta, R$915 reais, 1 arma .40 da carga da PM, 1 espingarda cal.12mm, 1 pistola taurus .40.

Prática Inadmissível

O major Rogério Fernandes, responsável pelo 26º Batalhão de Polícia de Itabira, disse que a prática dos militares envolvidos, além do ex-policial, é inadmissível pela corporação e condenada pela PMMG como um todo. “Não aceitamos e, portanto, combatemos essa prática criminosa que, de forma alguma, é aceita na polícia. Estamos sempre atentos para proteger o cidadão do crime, mesmo que cometidos por policiais”, disse.

O major Jayme Alves, da 17º Cia Independente de Polícia em João Monlevade, também condenou o crime e afirmou que a Polícia faz um trabalho sério e comprometido com a população, sempre em busca da segurança e do bem-estar do cidadão de bem.

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