Monlevade não tem delegado para atender vítimas de violência

Vereador alerta para sucateamento de serviços que atendem vítima de violência

Sede do Bem Viver, no Novo Cruzeiro

Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SinanNet) apontam que no ano passado João Monlevade registrou 137 casos de violência – entre crimes domésticos, sexuais, físicos, moral, tortura, abandono e trabalho infantil. Uma média de 12 ocorrências por mês. Os números foram comentados pelo vereador do PT, Belmar Diniz, durante a reunião semanal dos parlamentares, na última quarta-feira (21).

Anúncios

O vereador usou os dados para alertar para o sucateamento dos serviços do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) em João Monlevade. Os dois órgãos pertencem à Secretaria Municipal de Trabalho Social e atuam com foco em pessoas em situações vulneráveis, de risco social ou que tiveram seus direitos violados. Eles são a principal porta para recebimento das vítimas de violência, segundo explicou Diniz.

Continue lendo após o anúncio

Tanto o Cras quanto o Creas funcionam na sede do bem Viver, no bairro Novo Cruzeiro e, conforme denúncia do vereador falta estrutura operacional para o desenvolvimento de trabalhos. Ele apontou que não internet no local, as salas estão mofadas e a Iluminação interna e externa são precárias. Os serviços de convivência (oficinas como música, dança, pinturas, etc) são inexistente, assim como o atendimento de psicólogos e advogados. “Os nossos Centros de apoio ao cidadão em vulnerabilidade social não funcionam como deveria. Não por culpa dos funcionários, mas sim por falta de gestão e apoio do Executivo”, lamentou o vereador.

Sem delegado especializado

Belmar também tornou pública uma correspondência enviada pelas coordenadoras do Creas e do Cras para os vereadores, datada em 2 de fevereiro, no qual é solicitada intervenção do Legislativo para intermediar a falta de um delegado na Delegacia Especializada de João Monlevade.

Conforme o documento, a delegacia está funcionando apenas com delegado plantonista, fato que impacta diretamente nos atendimentos e acompanhamentos dos órgãos públicos, visto que o Creas e Cras atendem mulheres vítima de violência doméstica e que precisam registrar Boletim de Ocorrência e pedir medidas protetivas.

Outro ponto colocado na correspondência é que após a pasta ficar sem um delegado tiular, crianças e adolescentes vítimas de violência não estão sendo encaminhadas para acompanhamento no Creas.

“Devido à falta de um delegado especializado, percebemos que a rede de atendimento está muito fragilizada e, nesse sentido, vimos buscar providências que poderão contribuir para a solução desses problemas. O Cras, o Creas e os Conselhos de Direito estão sempre trabalhando com campanhas de prevenção à violência, divulgando os canais de denúncia, mas para que isso se efetive realmente, é preciso que os órgãos competentes estejam dotados de profissionais para atender à demanda e, caso alguém seja vítima, tenha todo o suporte, atendimento e acompanhamento necessário para que essa violência seja superada”, finaliza o documento.

O delegado regional, Alberto Gomes Vieira, à frente da 4ª Delegacia Regional de Polícia Civil de João Monlevade, disse que a cidade está sem um delegado na Delegacia Especializada há um ano e que não há previsão de designação para a pasta. “Tem um concurso pra delegado em andamento, mas ainda nem iniciaram as inscrições. São 76 vagas para o Estado todo, mas nenhuma garantia ou no mínimo uma previsão de que virá alguém para nossa Regional. Já tivemos 12 delegados e agora somos apenas seis”, comentou.

A prefeita Simone Moreira (PSDB) também foi procurada para falar sobre a situação e disse que os serviços passam por reestruturaçaõ e em breve serão retomados.

Crea e Cras funcionam em salas da sede da Casa do Bem Viver, no bairro Novo Cruzeiro (Divulgação/Google Maps)

Anúncios
Publicidade

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Digite seu nome aqui