As forças de segurança inspecionaram nesta sexta-feira (15) a suposta residência do homem que na noite de quinta-feira (14) matou em Nice com seu caminhão ao menos 84 pessoas, e que foi descrito por seus vizinhos como “solitário” e “silencioso”.

Mohamed Lahouaiej-Bouhlel, de 31 anos e nascido na Tunísia, não tinha a aparência de uma pessoa religiosa e frequentemente era visto de bermuda, conta Sébastien, um vizinho do edifício de quatro andares onde nesta sexta-feira a inspeção foi realizada.

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 Outra vizinha, Alexia, disse à AFP que falou apenas uma vez com ele, quando cortou um medidor elétrico errado.
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Uma família numerosa, que também vive no mesmo prédio, afirmou que o jovem nunca os cumprimentava. No térreo, Anan disse que não confiava nele porque “olhava com muita insistência para suas duas filhas”.

A varredura, em um bairro popular do leste da cidade, começou às 09h30 locais (04h30 de Brasília) na presença de policiais de elite fortemente armados. Ela contou com a participação de membros da polícia técnica e científica.

Ao meio-dia, as forças de ordem bloquearam a rua e pareciam estar vasculhando com a ajuda de um cachorro, a 100 metros do edifício, um pequeno caminhão com as duas portas traseiras abertas. Durante a operação foi ouvida uma pequena explosão, constatou a AFP.

Mohamed Lahouaiej-Bouhlel é suspeito de ter avançado com seu caminhão na noite de quinta-feira contra uma multidão reunida no Passeio dos Ingleses para ver os tradicionais fogos de artifício de 14 de julho, aniversário da Queda da Bastilha.

Durante dois quilômetros, atropelou as pessoas que estavam em seu caminho e matou ao menos 84.

Saiba como foi 

Um homem armado avançou com um caminhão contra uma multidão que celebrava na quinta-feira (14) a festa da Queda da Bastilha em Nice, na Riviera Francesa, e matou 84 pessoas, além de 18 feridos “entre a vida e a morte” e 50 feridos leves, em um ataque

O motorista, que durante dois quilômetros avançou semeando caos e morte, foi identificado como Mohamed Laouiaej-Bouhlel, um franco-tunisiano de 31 anos, morador de Nice. Seus documentos foram encontrados no veículo.

Ao menos duas crianças estão entre os mortos e mais de cinquenta foram hospitalizadas.

No momento do drama, centenas de pessoas acabavam de presenciar no Passeio dos Ingleses, a avenida costeira de Nice, os fogos de artifício por ocasião do aniversário da Queda da Bastilha.

O veículo de 19 toneladas avançou por dois quilômetros, atingindo as pessoas pelo caminho, até o motorista, que tinha uma arma e atirou várias vezes, ser abatido pela polícia.

“Caráter terrorista”

O “caráter terrorista” do ataque é inegável, disse em um discurso televisivo o presidente Hollande, que viajou nesta sexta-feira a Nice.

Manuel Valls disse, por sua vez, após uma reunião de crise na presidência que seus compatriotas devem se unir diante da “guerra que o terrorismo está travando”.

O chefe de Estado também advertiu que, apesar dos ataques, a França “reforçará sua ação na Síria e no Iraque”, países onde combate os terroristas do Estado Islâmico (EI).

O estado de emergência, que deveria terminar em quinze dias, foi prolongado por três meses. Este regime, decretado após os atentados de 13 de novembro, facilita as operações policiais e a prisão domiciliar de suspeitos.

Igualmente, Hollande anunciou o recurso a milhares de cidadãos reservistas para apoiar policiais e gendarmes, esgotados por meses de vigilância intensiva desde 2015.

Este é um dos atentados mais sangrentos cometidos na Europa nos últimos anos.

No dia 13 de novembro passado, suicidas do grupo extremista Estado Islâmico (EI) mataram em Paris 130 pessoas, 90 delas na casa de shows Bataclan.

Antes destes atentados, a França já havia sido atingida pela violência terrorista nos ataques de janeiro de 2015 contra a revista satírica Charlie Hebdo e um supermercado kosher, que deixaram 17 mortos e que foram seguidos por vários outros ataques e tentativas.

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