Motorista saiu do local do acidente por medo, afirma delegado

Delegados Ana Paula Locatelli Bonato, Paulo Tavares, escrivão Flávio Ponciano Martins e inspetor Anderson de Assunção Marcelos

Durou três horas o depoimento do motorista do ônibus da empresa Localima, Luiz Viana de Lima, 47 anos, à Polícia Civil de João Monlevade. Ele se apresentou espontaneamente por volta das 14h, desta segunda-feira (7). Também hoje, a filha dos donos da empresa de transporte esteve na delegacia.

O delegado responsável pelo inquérito, Paulo Tavares, falou com os jornalistas sobre o caso no final da tarde. O motorista, que chegou à delegacia acompanhado de uma advogada de João Monlevade, alegou que saiu do local do acidente por medo e porque se sentiu acuado. O condutor ficou os três dias na região próxima onde o ônibus caiu.

Luiz Viana deixou a Delegacia numa viatura descaracterizada da Polícia Civil (Bell Sila/ O Popular)

“Ele apresentou várias situações, colaborou da melhor forma possível e não se escusou de dar nenhuma resposta e prestar esclarecimentos”, falou o delegado que informou também que Luiz Viana não se feriu e está muito abalado com a fatalidade. Um dos detalhes fornecido pelo motorista durante a oitiva foi o fato de o ônibus apresentar falha mecânica antes do acidente. “A falha técnica será confirmada por exames”, frisou o delegado Tavares que enfatizou que algumas partes do depoimento do motorista ainda não podem ser reveladas para não prejudicar as investigações.

O motorista não ficou preso, pois não há nenhuma medida cautelar contra ele. Luiz Viana deve prestar novas declarações no decorrer das investigações. “Não há nesse momento a necessidade da custódia cautelar dele.

Depoimento da filha dos donos da Localima

A filha dos donos da empresa Localima também esteve na Delegacia nesta tarde. Ela e o marido, Flaviano Carvalho, estiveram em Belo Horizonte, onde prestaram, segundo eles, auxílio às vítimas do acidente. O casal veio a João Monlevade a pedido da Polícia Civil.

A mulher, conforme o delegado Paulo Tavares, não apresentou detalhes relevantes ao caso, limitando-se a informar que a empresa seria de propriedade dos pais e gerenciada pelos irmãos. No decorrer dos depoimentos, ela teve um mal estar e precisou ser atendida por um médico. Por conta disso, o interrogatório foi finalizado. “O depoimento foi encerrado porque ela não trouxe muita qualidade que pudesse ser usada como elementos probatórios. Esperamos a vinda dos pais – que são os representantes legais da empresa”, explicou o delegado responsável pelo inquérito, que pretende ouvir os empresários nos próximos dias.

A Localima alega que o ônibus acidentado teria sido arrendado para a empresa JS Turismo e seria dela a responsabilidade dos fatos. Sobre a questão, o delegado Tavares foi taxativo: “A JS Turismo ainda não foi ouvida e todos os envolvidos são responsáveis pelo acidente até o inquérito ser concluído. A empresa [Localima] hoje apresentou contrato que mostram que o ônibus foi arrendado para JS Turismo. Os documentos precisam ser checados para análise detalhada”.

Delegado Paulo Tavares (Cíntia Araújo/Divulgação)

Por fim, delegado Paulo Tavares disse que pretende terminar inquérito policial no menor prazo possível. “Dependemos da pericia técnica e diligências que devem ser feitas fora do estado”, concluiu.

As oitivas foram conduzidas também pela delegada Ana Paula Locatelli Bonato, pelo escrivão Flávio Ponciano Martins e pelo inspetor Anderson de Assunção Marcelos.

Até a postagem dessa matéria a reportagem não conseguiu contato com empresa JS Turismo.

Ônibus caiu de mais de 30 metros (Bell Silva/O Popular)

O acidente

O acidente com o ônibus da Localima aconteceu na BR-381, próximo a João Monlevade. O ônibus saiu de Santa Cruz do Deserto, povoado de Mata Grande, no estado de Alagoas, com destino a São Paulo, quando teria apresentado falhas mecânicas e caiu de um viaduto conhecido como Ponte Torta. Dos 48 passageiros, dois desembarcaram em Governador Valadares.

Na tragédia, 19 pessoas morreram. Outras sete seguem internadas no Hospital Margarida, em João Monlevade, sendo uma delas em estado grave. Três passageiros seguem no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte. O estado de saúde deles é delicado.

 

 

 

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