Estadão Conteúdo

Rodrigo Maia (DEM) foi eleito presidente da Câmara com apoio político de Aécio Neves
André Dusek/Estadão Conteúdo – 14.7.16

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Rodrigo Maia (DEM) foi eleito presidente da Câmara com apoio político de Aécio Neves

Em seu primeiro compromisso público como presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) visitou o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), a quem dedicou sua vitória. Reunido no gabinete do tucano com a presença do líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), Maia agradeceu o empenho dos colegas na articulação por sua eleição.

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“Eu não poderia deixar de, assim que saísse de casa hoje, visitar quem construiu comigo na base essa vitória. Essa vitória eu devo a todos, mas na origem, devo a Aécio Neves. Na vida, a gente tem que ser grato àqueles que entram num projeto quando poucos acreditam”, disse o presidente da Câmara.

Segundo Maia, foi Aécio que, com o conhecimento de quem já foi presidente da Câmara, desenhou a estratégia e participou da construção das alianças necessárias para sua eleição. “A nossa vitória foi construída no domingo à noite, numa conversa com Aécio, Imbassahy e o ministro da Educação, Mendonça Filho”, disse.

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Essa vitória eu devo a todos, mas, na origem, devo a Aécio Neves” ?
Rodrigo Maia, presidente da Câmara

A presença de Maia no segundo turno parecia pouco provável até o dia da eleição. A atual oposição, composta pelo PT, PCdoB e PDT, estava disposta a apoiar a candidatura do ex-ministro de Dilma Rousseff Marcelo Castro (PMDB-PI). Uma reviravolta estratégica trouxe os votos dos aliados de Dilma para Maia com o intuito de evitar, a qualquer custo, uma nova ascensão do chamado Centrão, representado na eleição por Rogério Rosso (PSD-DF).

Maia assume a Câmara com uma aparente divisão na base do governo de Michel Temer, que colocou de um lado a “antiga oposição”, composta por PSDB, DEM e PPS, e de outro o Centrão, formado por partidos pequenos e nanicos. O novo presidente dos deputados, entretanto, minimizou a divisão.

“Não foi uma vitória da ‘antiga oposição’, foi uma vitória da Casa. Temos que olhar para o futuro e não para o passado. Não vamos mais separar a base como ‘antiga oposição’ e ‘Centrão’. Isso tudo está atrapalhando o Brasil. Vamos trabalhar em conjunto para que o governo tenha uma base unida”, declarou.

Rodrigo Maia superou Rogério Rosso (PSD) com o apoio de deputados do PSDB e do PT
Dida Sampaio/Estadão Conteúdo – 14.7.16

Rodrigo Maia superou Rogério Rosso (PSD) com o apoio de deputados do PSDB e do PT

Apesar disso, Maia não poupou o Centrão de críticas veladas. Ao ser questionado sobre possível interferência na escolha do líder do governo na Câmara, em referência ao Centrão, o deputado fez questão de deixar claro que não faz parte do grupo que pressiona o governo.

“Eu não sou líder do governo. Eu sou o presidente da Câmara dos Deputados, dos 513 deputados. Quem indica o líder do governo é o presidente da República. Como eu não faço parte do bloco que pressiona o governo para indicar líder, eu não vou fazer isso”, respondeu.

Reforma política

Maia demonstrou seu interesse de trabalhar em conjunto com o Senado Federal. Ainda nesta quinta-feira (14) o novo presidente da Câmara irá se encontrar com o presidente em exercício, Michel Temer, e prometeu se reunir em seguida com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Entre as pautas prioritárias, Maia apontou a agenda econômica do governo, mas pontuou em especial a reforma política, proposta que credenciou mais uma vez ao aliado Aécio Neves.

“Aécio Neves está trazendo uma pauta importante, que é a da reforma política. O sistema político faliu, ruiu, e a ideia do senador Aécio Neves vem em boa hora. A reforma política talvez seja, fora da pauta econômica, uma agenda urgente”, defendeu.

Durante o encontro, Aécio Neves entregou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que registrou também nesta quarta-feira no Senado, em conjunto com o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES). De acordo com o tucano, os dois pontos principais da proposta são o fim de coligações proporcionais e o restabelecimento de uma cláusula de barreira, que exige um número mínimo de votos para atuação de um partido ou parlamentar.

O objetivo de Aécio é diminuir a quantidade de legendas políticas que, segundo ele, hoje inviabilizam a atuação no Poder Legislativo. A PEC começa a tramitar pelo Senado, mas Aécio disse que gostaria, desde já, de contar com o apoio do novo presidente da Câmara.

O tucano elogiou a eleição de Rodrigo Maia e disse que a vitória irá “oxigenar a política brasileira”. Segundo Aécio, um compromisso de Maia, e que ele já tem posto em prática, é a “pacificação política” e a união dos blocos em torno de um objetivo comum.

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