Regimento foi lançado por Emílio Odebrecht em evento que reuniu 170 executivos da companhia
J.F.Diorio/Estadão Conteúdo

Regimento foi lançado por Emílio Odebrecht em evento que reuniu 170 executivos da companhia


Um dos principais alvos da gigante Operação Lava Jato, a Odebrecht publicou na quarta-feira (6) um novo código de ética, mais enfático ao condenar práticas ilícitas. O texto foi lançado pelo presidente do conselho de administração da companhia, Emílio Odebrecht, durante evento em um hotel de São Paulo que reunia 170 executivos da empresa.

Emílio ? que é filho do fundador da construtora, Norberto Odebrecht ? reconheceu os erros da companhia, mas não poupou críticas à participação do Estado na esfera privada, que classificou como ?exagerada?. “Destaco o sistema político-partidário, o excesso de burocracia e a exagerada interferência do Estado na vida do cidadão e das empresas”.

“Temos de reconhecer nossa responsabilidade quanto às dúvidas sobre nossos comportamentos, omissões e complacências que existem junto à opinião pública”, declarou o executivo. Seu filho, Marcelo Odebrecht, está preso desde junho de 2015 e foi condenado a 19 anos e quatro meses de reclusão por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

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Depois de ter outros executivos condenados ? Márcio Faria, Rogério Araújo, César Ramos Rocha e Alexandrino Alencar também foram indiciados pela Polícia Federal ? a Odebrecht assinou acordo de confidencialidade com a força-tarefa da Operação Lava Jato. A manobra pode ser o primeiro passo para uma possível delação premiada de Marcelo Odebrecht, que já manifestou disposição em colaborar com as investigações.

Empreiteiro Marcelo Odebrecht foi preso na 14ª fase da Operação Lava Jato, em junho de 2015
Antonio Melo/Agência de Notícias Gazeta do Povo/Estadão Conteúdo

Empreiteiro Marcelo Odebrecht foi preso na 14ª fase da Operação Lava Jato, em junho de 2015


Rigidez

As novas regras de conduta da Odebrecht foram redigidas a partir de visitas a empresas internacionais que adotam políticas rígidas conhecidas como ?compliance? (ou ?conformidade?, em português). De acordo com Sergio Foguel, coordenador do Comitê de Conformidade, o novo regimento prevê punições que podem ir do desligamento do funcionário ao descredenciamento de fornecedores.

Ao deflagrar a Operação Xepa, em abril, a Polícia Federal descobriu a existência de um ?departamento de propina? dentro da empresa. O setor tinha hierarquia e programas próprios de contabilidade e comunicação para pagamentos irregulares.

Um dos executivos apontados como operadores de offshores deste departamento da Odebrecht, Vinícius Veiga Borin afirmou em delação premiada que o grupo chegou a comprar um banco para fazer operações ilegais ? valor que gira em torno de US$ 132 milhões. À força-tarefa da Lava Jaro, Borin disse ainda que a empreiteira controlava 42 contas offshores fora do país.

*com informações do Estadão Conteúdo

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