A escola deverá ser fechada a partir do dia 03 de janeiro de 2017. A alegação do Estado é o número baixo de alunos

No momento em que se preparava para comemorar uma pequena reforma na Escola Estadual Santana, que fica no Bairro Santa Cruz, em João Monlevade, alunos, professores e a direção do educandário, que atende 186 estudantes da região, foram surpreendidos com uma notícia ruim, de que a escola será fechada pelo Governo do Estado a partir do dia 03 de janeiro de 2017.

A comunicação de fechamento da escola foi feita, de forma verbal, pelo inspetor de ensino, Eduardo Antônio Marques, da Secretaria Regional de Ensino (SRE), de Nova Era, e caiu como uma bomba para todos.  Segundo pais de alunos, a decisão foi tomada sem um diálogo com a comunidade.

Com faixas e cartazes com palavras de ordem, alunos e pais se mobilizaram na tarde desta segunda-feira (5) no pátio da escola.

Mais de 300 assinaturas foram colhidas em um baixo assinado contra o fechamento da escola. O documento deverá ser encaminhado para a SER, em Nova Era.

O porta-voz da notícia foi o inspetor de ensino Eduardo Antônio Marques, da Secretaria Regional de Ensino (SRE), de Nova Era
O porta-voz da notícia foi o inspetor de ensino Eduardo Antônio Marques, da Secretaria Regional de Ensino (SRE), de Nova Era

Segundo Eduardo Antônio, o motivo alegado pela Secretaria de Educação do Estado é o número pequeno de alunos na escola, o que inviabiliza a continuação dos trabalhos naquela região. Outro motivo citado pelo inspetor de ensino é a economia para o Estado.

A partir do próximo ano os estudantes que estudam na escola Santana, bem como funcionários, serão transferidos para outras da rede estadual de ensino da cidade.

Depois de ouvir os questionamentos dos alunos e dos pais, Eduardo Antônio sugeriu que eles montem uma comissão e procurem a SER para tentar impedir o fechamento da escola.

A diretora da escola Rita de Cássia Lima de Mendonça, muito emocionada, bem como professoras e funcionários, preferiram não falar sobre o caso, temendo represálias.

Vanessa Luíza Ferreira, mãe de aluno, disse que todas as mães estão indignadas com a notícia. “A escola ficou jogada às traças a vida inteira, agora que conseguiu uma ajuda da ArcelorMittal e outras entidades, eles viram pra gente simplesmente e falam que a partir do dia 03 de janeiro vão fechar a escola. Todos nós estamos indignados com essa decisão. No dia da reunião tinha aluno chorando porque não queriam que escola fosse fechada. Uma escola com mais de 50 anos não pode fechar dessa forma”, disse.

Marlene Martins, ex-funcionária da escola, disse que a medida é uma falta de respeito com a comunidade. “Essa escola é um patrimônio nosso, aqui passaram muitos alunos que hoje são doutores da vida, são advogados, e sempre voltam aqui para rever o local que foi fundamental em suas formações. Nós não podemos permitir que ela venha ser fechada. Estamos aqui para dizer NÃO ao fechamento da escola.”, disse Marlene.

Um abaixo assinado com mais de 300 assinaturas será entregue na Secretaria Regional de Ensino em Nova Era
Um abaixo assinado com mais de 300 assinaturas será entregue na Secretaria Regional de Ensino em Nova Era

Maria do Carmo Gomes de Assis, membro do colegiado, disse que a comunidade vive isolada do resto da cidade e também não concorda com o fechamento. “Temos vários alunos dos bairros Tiete, Santa Cruz, Pedreira e Jacuí que estudam aqui. Essa notícia pegou a gente de surpresa. Eu acho que quando foi tomada a decisão, deveriam ter feito uma reunião com os alunos, com os pais e com a direção para discutir o problema, e isso não foi feito. Agora pra onde nossos filhos vão? Será que nossos filhos estão aptos para mudarem de escola assim, de uma hora para outra? Será que o Estado vai bancar as despesas no transporte para eles? È direito do aluno em ter uma escola próxima de casa”, desabafou a mãe de aluno.

Além de alunos, pais e funcionários da escola estiveram presentes, em apoio à comunidade local, os vereadores Guilherme Nasser, Belmar Diniz, Thiago Titó e Leles Pontes, além do padre Mário Jorge.

Segundo Belmar Diniz, esteve com os deputados Tito Torres (PSDB) e Nozinho (PDT), durante um encontro social na última sexta-feira, e eles se dispuseram em intermediar junto à Secretaria Estadual de Ensino, para impedir o fechamento da escola.

Thiago Titó disse que a maior frustração de todos é que não houve um debate com a comunidade e que a caso vinha sendo estudado pelo Estado há cerca de dois anos.

O inspetor de ensino explicou que a situação da escola vinha sendo monitorada diante da constante diminuição do número de alunos nos últimos dois anos, mas que a decisão de fechar foi tomada recentemente.

Guilherme Nasser (PSDB) disse que a decisão precisa ser revista pelo Estado. “É um local histórico. Aqui é uma região muito afastada das outras e essa decisão precisa ser revista de alguma forma para que não traga mais prejuízos para a população local, que já sofre por causa desse afastamento das áreas mais próximas do centro da cidade”, disse o parlamentar.

Escola tem mais de 50 anos

A Escola Estadual Santana foi inaugurada em 14 de abril 1961 em um prédio construído pela então Companhia Siderúrgica Belgo Mineira, hoje ArcelorMittal Monlevade. Neste dia estiveram presentes o Governador do Estado José de Magalhães Pinto, o diretor da usina de João Monlevade, Joseph Hein e sua esposa Anne Marie Marguerite Hein.

Imagem foi tombada pelo Patrimônio Histórico Cultural
Imagem foi tombada pelo Patrimônio Histórico Cultural

A edificação foi projetada pelo arquiteto Lúcio Costa Niemayer e foi tombada pelo Patrimônio Histórico. No local há uma imagem de Nossa Senhora Sant’ana, também tombada pelo Patrimônio Histórico Cultural. Ao todo estudam na escola 186 alunos do ensino regular, desses 75 na Educação Integral.

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1 COMENTÁRIO

  1. Boa tarde!

    Qual o real motivo do fechamento da escola ?
    Quem interessa seu fechamento?
    Qual o planejamento de remanejamento logístico e qual o custo ?
    Onde esta os valores a da educação no Brasil ?
    Falar em fechar é fácil . Por que não investe na região buscando alternativas.
    Sou contra .

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