Papo Cabeça

E se…

E se ao invés de sentir ódio, você optasse por sentir gratidão por ter chegado aonde chegou e encarasse as mudanças da vida como algo natural e uma oportunidade para recomeçar?

E se ao invés de sentir tristeza por algo que chegou ao fim, você optasse pela alegria da lembrança de momentos que se eternizaram na memória?

E se ao invés de sentir medo, você se dedicasse a estudar mais sobre o desafio a ser enfrentado para, no fim, concluir que as dores na vida são inerentes ao processo de crescimento?

E se ao invés da ansiedade, você pudesse aprender a arte da espera, sem sofrimento por antecipação?

E se ao invés de tentar parecer forte o tempo todo, você tentasse pedir ajuda àqueles que realmente te amam e fazer a dura caminhada se tornar mais amena?

E se ao invés de você lamentar por não ter o smartphone da moda, você pudesse agradecer por ter um mais simples, mas que permite que você mantenha contato com as pessoas que você ama?

E se ao invés de você evitar amigos e parentes para não desarrumar sua casa, você optasse por preencher um espaço vazio e organizado, por um cheio de desorganização, calor humano e alegria?

E se ao invés de você optar pela solidão, você trocasse as tardes de domingo e feriados por reuniões com amigos e família?

E se ao invés de você se matar de trabalhar sem ter um mínimo de tempo para si, você pudesse dizer ao dinheiro que é você quem manda nele e não ele quem manda em você.

E se ao invés de se sentir fracassado porque seus amigos postaram fotos lindas das férias na Europa, você também pudesse lotar seu Instagram com imagens maravilhosas das montanhas, cachoeiras e flores de lugares que estão a 20 minutos de sua casa e você nunca parou para conhecer?

E se ao invés de sentir inveja do sucesso de alguém você pudesse se inspirar para se tornar alguém semelhante e, talvez, quem sabe, ainda melhor?

E se ao invés de você cortar pessoas de sua vida, aquelas que você pensa que te fazem mal, você pudesse parar para pensar que talvez o erro esteja na maneira como você enxerga e quem precise mudar seja você?

E se ao invés do ter, você pudesse dedicar boa parte de sua vida ao ser?

Não sou uma pessoa perfeita e muitas dessas reflexões que proponho, eu mesmo preciso fazer. No entanto, vou me ousar a dar a você mais um desafio: abra seu armário de roupas e retire todas as peças e as empilhe em cima da cama. Separe aquelas que você realmente gosta para guardar de volta e aquelas que você nunca usa encaminhe para doação. Faça a mesma coisa com livros, CDs, sapatos, ferramentas, qualquer coisa que você acumula há anos nas gavetas. No final desse exercício, você se sentirá mais leve, porque fez o bem a outro e a si mesmo.

Esse sentimento tem uma explicação: muitas vezes sentimos um grande vazio porque a propaganda nos programa para pensar que só temos valor se tivermos posses. Aí passamos a dedicar boa parte do nosso tempo a adquirir coisas que achamos erroneamente que nos trarão felicidade. Morremos de trabalhar para ter o Iphone da moda ou para fazer aquela viagem dos sonhos em que mal descansamos porque nossa cabeça continua lá no escritório ou na data de vencimento da fatura do cartão de crédito. Vamos acumulando coisas sem propósito, pensando que felicidade se compra. Ledo engano.

Felicidade não tem preço e só muito tarde a maioria das pessoas se dá conta de que ela sempre esteve presente na vida e justamente nas pequenas coisas que não custavam absolutamente nada. Estava naquele abraço gostoso de sua mãe que já morreu e você não pode pagar para tê-la de volta. Está no sorriso inocente do seu filho que você quase nem viu crescer e agora você vê ainda mais raramente, porque ele se tornou homem e foi morar no exterior para ter as oportunidades que você não teve. A felicidade estava naquele dia em que não havia muita coisa para comer em casa, mas ninguém passou fome porque seu pai herói jamais permitiu que o essencial faltasse.

Se o final desse texto você estiver se sentindo triste, volte ao início dele. Você está vivo e ainda tem a oportunidade de fazer com que tudo seja diferente. A nossa breve vida se resume a escolhas e dentre inúmeros “ses” que existem ao longo de nossa jornada, ser feliz é algo que só depende de você.

(*) Breno Eustáquio é professor universitário

 

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