PF prende vice-governador de MG e cumpre 81 mandados

A Polícia Federal prendeu na manhã desta sexta-feira (9), o vice-governador de Minas Gerais, Antonio Andrade (MDB). A ação é um desdobramento da operação Lava Jato que investiga o envolvimento do político em um esquema de corrupção na época em que ele era ministro da Agricultura do governo Dilma Rousseff (PT).

Andrade ocupou o cargo de 2013 até março de 2014. As investigações apuram suposta fraude envolvendo doações irregulares por uma empresa de processamento de proteína animal para políticos e partidos.

Batizada de operação Capitu, a ação acontece em cinco estados brasileiros e no Distrito Federal — Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraíba e Mato Grosso — e as autoridades cumprem 62 mandados de busca e apreensão e 19 de prisão temporária, totalizando 81.

Segundo a Receita Federal, “duas grandes redes varejistas do estado de Minas Gerais, por meio de seus controladores e diretores, participaram diretamente desse esquema”.

A suspeita é de que a empresa utilizou o grande movimento de dinheiro em espécie para dar “ar de licitude” aos valores doados aos parlamentares entre agosto de 2014 e fevereiro de 2015. O inquérito do caso foi instaurado com base em delações prestadas por Lúcio Funaro.

Segundo a PF, “a operação é baseada na delação de Lúcio Funaro, apontado como operador do MDB”. As investigações apontam que havia um esquema de arrecadação de propina dentro do Ministério da Agricultura para beneficiar políticos do MDB, que recebiam dinheiro da JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, em troca de medidas para beneficiar as empresas do grupo.

A operação foi batizada como “Capitu” em alusão a uma suposta traição de Capitu, personagem do livro Dom Casmurro de Machado de Assis.

Funcionamento do esquema

O dinheiro seria repassado pela rede varejista aos parlamentares e partidos por meio de simulação de recebimento de duplicatas pela grande empresa de processamento de proteína animal e pela transferência financeira a seis escritórios de advocacia por serviços, supostamente não realizados, acobertados por contratos simulados e notas fiscais de tais escritórios.

As investigações apontam também um esquema de pagamento de propina a altos dirigentes do Ministério da Agricultura e Pecuária, que receberia o dinheiro em troca de regras e atos normativos benéficos à grande empresa do ramo. Os valores chegam a mais de R$ 22 milhões.

Segundo a PF, as propinas eram negociadas, geralmente, com um deputado federal e entregues aos agentes políticos e servidores do Ministério da Agricultura por Funaro. Alguns dos temas aprovados com base na propina estariam a regulamentação da exportação de despojos (R$ 2 milhões de propina), a proibição do uso da ivermectina de longa duração (R$ 5 milhões) e a federalização das inspeções de frigoríficos. Neste último caso, um deputado federal teria recebido R$ 50 mil para promover a mudança.

Os envolvidos podem responder pelos crimes de constituição e participação em organização criminosa, obstrução de justiça, falsificação de documentos, crime contra a ordem tributária, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. Caso condenados, as penas podem ir de três a 120 anos de prisão.

O suposto esquema envolveu agentes públicos, políticos e partidos políticos, além de uma grande empresa do setor alimentício de processamento de carnes, duas grandes redes de supermercados de Minas Gerais e escritórios de advocacia. (R7).

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