Inspetor Mauro Eduardo Alves Silva , Delegada Regional Ângela Furtado Braga e Delegada Monique Bicalho, da Delegacia da Mulher de João Monlevade

A Polícia Civil de João Monlevade confirmou que o corpo encontrado carbonizado no último dia 04 em uma mata, próximo à cidade de São Gonçalo do Rio Abaixo, era da cabeleireira Juciléia de Fátima Camilo, 30, desaparecida desde a madrugada do mesmo dia.

Através de análise da arcada dentária do corpo com exames de raio-x, a Perícia Técnica da Polícia Civil concluiu que se tratava da mesma pessoa.

Em entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira (16), as delegadas, Monique Bicalho, da Delegacia da Mulher de João Monlevade, a Delegada Regional Ângela Furtado Braga, acompanhadas do inspetor Mauro Eduardo Alves Silva, contaram detalhes das investigações que apontaram Alisson Fabiano Rocha, 38, marido de Juciléia, como principal suspeito do crime.

jucileia e alissonSegundo Monique Bicalho, Alisson procurou a Polícia Civil na segunda-feira (5), para denunciar o desaparecimento da esposa. Ele contou que na noite anterior os dois tiveram uma discussão, e que Juciléia saiu de casa dizendo que iria dormir no salão dela, que fica no Bairro Rosário, e que não mais teria visto a esposa. No entanto, segundo a delegada, no dia seguinte familiares da vítima estiveram na Delegacia e contaram que o casal vinha apresentando problemas no relacionamento, e que a vítima era ameaçada, constantemente por Alisson. A mulher já teria contado para a mãe dela que o marido tinha em casa uma arma de fogo e que queria se separar porque não estava mais feliz ao seu lado. Disse ainda que Alisson não aceitava a separação.

Diante dessas declarações, a polícia desconfiou que o marido poderia estar envolvido com o desaparecimento da esposa, uma vez que ela não teria feito qualquer contato com familiares desde a madrugada de sábado (3) para domingo. Segundo a delegada, a vítima não tinha qualquer problema com parentes mais próximos. “Ela não iria sair no sábado de casa, sem avisar a família e principalmente porque segundo a mãe dela, eles tinham o hábito de almoçarem juntos aos domingos. A partir daí passamos a trabalhar nessas evidências”, pontuou Monique Bicalho. A delegada disse ainda que Alisson tinha antecedentes por agressão contra uma mulher com quem foi casado, antes do relacionamento com Juciléia.

De posse dessas informações, e como as declarações de Alisson não eram convincentes, e a vítima ainda continuava desaparecida, ele foi chamado para um novo depoimento na segunda-feira (12). “Ele teria dito que Juciléia saiu de casa e entrou em um carro preto, que ele não conseguiu anotar a placa. Disse que esteve no salão e que a esposa não estava lá. Entrevistamos testemunhas do comércio dela e elas falaram que Juciléia não tinha costume de dormir no salão, ou seja, começamos a desconfiar da versão dele”, disse Monique Bicalho. “Ela não teria levado nenhum pertence, nem um telefone celular, peças de roupas, nada. Saiu de casa sem avisar ninguém e como ninguém entrou na casa deles, não deu nenhum nome se ela tinha algum amante, então isso tudo fortaleceu as suspeitas sobre ele”, completou a delegada Ângela Furtado.

Ainda de acordo com as delegadas, testemunhas relataram que a vítima era uma pessoa de idoneidade ilibada e que ela não tinha amante, e que o suspeito tinha muito ciúmes.

A ex-esposa de Alisson, com quem ele teve três filhos, também foi chamada para depor. Ela teria informado no depoimento que teve um casamento muito conturbado com ele e que chegou a ser agredida. Disse que, na época denunciou o caso à polícia. Já Juciléia, que morou com ele por quatro anos, não havia denunciado nenhum caso de violência doméstica, envolvendo Alisson.

Durante as investigações os policias vistoriaram o carro dele, um VW/Fox, e encontrou “material orgânico”, aparentemente sangue, no banco do passageiro. O acento foi recolhido e levado para análise técnica. Um colchão de casal também foi recolhido porque estava molhado, como se estivesse sido lavado, segundo a polícia. Nele os policias constaram manchas, aparentemente de sangue. Ele também foi aprendido para ser periciado, na sexta-feira (9).

Alisson teria confessado o crime para familiares

Diante das evidências, mais o laudo da Perícia Técnica e das contradições durante o depoimento, foi pedido, junto ao Ministério Público, o mando de prisão temporária dele na segunda-feira (12). Na quarta-feira seguinte o mandado foi deferido pela Justiça e uma equipe policial foi até os locais prováveis onde Alisson poderia estar, mas ele não foi encontrado. “Familiares disseram que Alisson chegou a confessar que teria matado a esposa por estrangulamento e depois ateado fogo ao corpo próximo de São Gonçalo”, disse a delegada.

A polícia acredita que ele tenha assassinado a esposa em casa e desovado o corpo em meio a uma plantação de eucaliptos da Cenibra e ateado fogo. O corpo foi entrado amarrado com arame e totalmente carbonizado.

Polícia encontra o corpo do suspeito

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Por volta das 10h30 de ontem (15), a polícia recebeu a informação que o corpo de Alisson havia sido encontrado em uma estrada de terra, próximo da cidade de Alvinópolis.”Já no local deparamos com o corpo, aparentemente há bastante tempo lá, e o veículo dele totalmente queimado. Acreditamos que ele tenha colocado fogo no carro para tentar um auto-extermínio, porque o corpo dele que estava distante do veículo e apresentava queimaduras e uma perfuração de arma de fogo no peito. Foi encontrado também perto do corpo dele um revólver calibre 22. Isso nos leva a crer que ele tenha tentado se matar queimado junto com o carro, e após desistir, deu um tiro no peito. Isso é apenas uma hipótese, pelo menos até que o laudo técnico seja concluído. Não tem nenhum indício de participação de outra pessoa na morte dele”, informou a delegada Monique Bicalho.

Ainda segundo a delegada, Alisson teve conhecimento que a polícia havia pedido o Mandado de Prisão dele e por isso fugiu. Sabendo que seria preso, acabou se matando.

Juciléia era adotada

Durante as investigações a Polícia Civil descobriu que Juciléia era filha adotiva e, por isso, não tinha como fazer exames de DNA  no corpo encontrado perto de São Gonçalo, onde o médico legista poderia confirmar através dele, se o corpo era da cabeleireira.

Na ocasião a perícia não soube informar nem o sexo do carpo carbonizado.

A polícia conseguiu radiografias recentes dela, de um tratamento dentário, e foi possível fazer a comparação, que foi confirmado na manhã desta sexta-feira (16), que era Juciléia.

O casal havia bebido na noite anterior

A Delegada Regional, Ângela Furtado disse os investigadores descobriram que o casal havia feito uso de bebida alcoólica na noite anterior, e foram até o local onde eles teriam comprado as bebidas. “Isso foi comprovado através das filmagens que conseguimos com o supermercado, onde o casal aparece fazendo as compras. Eles devem ter bebido e discutido e ele a estrangulou. O legista comprovou o estrangulamento. Ele enrolou a vítima no colchão e a levou para o local. Tudo indica que a situação teve início com uma discussão”, destacou a delegada.

Importância de denunciar casos de violência

Ângela Furtado ressaltou sobre a importância da mulher em denunciar casos de violência doméstica e parabenizou toda a equipe no trabalho investigativo que solucionou o caso. “Quero parabenizar a todos os policias civis da Divisão de Homicídios, que participaram das investigações. Eles não mediram esforços para desvendar esse caso, trabalhando diuturnamente em diligências; e a delegada Monique Bicalho que coordenou todo o trabalho. Não posso dizer que a Polícia Civil está feliz, está satisfeita, não estamos. Ficamos consternados com as tragédias, não é isso que a gente quer, mas estamos com a sensação de dever cumprido, porque tudo que a Polícia Civil pode fazer em um curto espaço de tempo foi feito. Quero ressaltar também o trabalho do médico legista, e o apoio do Ministério Público. Ao Delegado Paulo Tavares, de Itabira, que acelerou o processo de identificação do corpo. Foi um trabalho de equipe muito bem feito e tudo indica que foi um suicídio, e lamento muito isso. Tinhamos um mandado de prisão, mas infelizmente ela não chegou a ser efetuada, mas concluímos que ocorreu essas duas tragédias. Quero aproveitar a imprensa para pedir às mulheres, que passam por qualquer tipo de violência doméstica, seja agressão física ou ameaça, maus tratos, enfim. Porque às vezes a pessoa acha que é normal em um relacionamento, mas o normal é as pessoas viveram em harmonia. Portanto pedimos que denunciem para evitar casos semelhantes. Infelizmente não tivemos como a tempo. Esse foi o primeiro caso de feminicídio (morte intencional de pessoas do sexo feminino) em João Monlevade, depois do advento da Lei, e esperamos que seja o último. O Juiz sempre defere os pedidos de medidas protetivas e a doutora Monique os encaminha com a maior presteza, para afastar o agressor da vítima. Então, é muito importante que se faça a denúncia para termos elementos para trabalhar e assim, evitar tragédias como essa”, finalizou Ângela Furtado.

*Matéria atualizada às 20h04

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