A operação teve início por volta das 4h da madrugada e reúne mais de 90 policiais civis

Dos 11 vereadores eleitos da Câmara de Santa Bárbara, nove foram detidos na manhã desta quinta-feira (27) numa operação da Polícia Civil denominada “Apolo 13”. Dos nove, quatro serão encaminhados para o presídio de Barão de Cocais. Entre eles, o presidente do Legislativo, Juarez Camilo Carlos (PSDB) e os vereadores Luiz Fernando Hosken Fonseca (PSL), Ermelindo Francisco Ferreira (PSL), Geraldo Magela Ferreira (Carrapicho – DEM). Também seguem para o presídio o ex-presidente do Legislativo José Ladislau Ramos (DEM), o ex-procurador e também ex-presidente Frederico Magalhães Ferreira, os ex-chefes de Gabinete Maria Aparecida Ferreira da Silva e Silva (Cida) e Willian da Silva Mota, além do empresário Madson Geraldo Arcanjo.

Os demais parlamentares e quatro servidores foram alvos de mandados de condução coercitiva e serão liberados depois de ouvidos. São eles: Geraldo Magela Silva (Gegê da Ambulância – PP), Timóteo de Lourdes Ferreira (PPS), Wellington Flávio Resende do Carmo (PP), Carlos Augusto Bicalho (PDT) e Luciano pires da Silva Luiz (PHS). Também foram conduzidos para a delegacia pelos policiais o Assessor de Comunicação Guilherme Antônio Assis, a servidora de Recursos Humanos Rosilene Aparecida Duarte Fernandes, a presidente da Comissão de Licitação, Ângela Maria Pereira e o chefe do Controle Interno Phillipe Souza e Silva (Quick).

Computadores, celulares e documentos foram apreendidos na Câmara e na casa dos vereadores e funcionários. A operação policial, coordenada pelo delegado Domiciano Monteiro, começou há cerca de um ano e apura desvios que teriam sido cometidos por vereadores, empresários, advogados e políticos da região. São investigados crimes de corrupção, falsificação de documentos, peculato e fraude em licitações, dentre outros crimes.

A operação teve início por volta das 4h da madrugada e contou com cerca de 100 policiais civis, de Santa Bárbara e das cidades vizinhas que cumpriram 20 mandados de prisão, busca e apreensão e condução coercitiva.

De acordo com as investigações, o empresário preso venceu três de dois processos de licitação para fornecer carros de aluguel para a Câmara Municipal. Segundo os relatórios, as distâncias das viagens percorridas com os veículos dariam para ir da Terra até a lua. “A Câmara Municipal, que até então nunca havia necessitado de alugueis de veículos, realizou em sequência três contratos, com valor superior a R$ 500 mil. Através de laudo pericial constatamos que a distância que poderia ser percorrida, caso esses contratos tivessem sido de fato cumpridos, seria suficiente para o comparecimento na lua e ainda o retorno de um terço do caminho”, pontuou o delegado.

O policial disse ainda que os contratos estão sob suspeita porque o processo de licitação foi feito sob sigilo, sem divulgação pública, e também não cumpriu os prazos determinados. Ainda segundo o delegado, houve uso de documentos falsos nessas licitações.

Com a prisão do ex e do atual presidente da Câmara, a polícia acredita que o esquema passou de uma gestão para outra. “Ficou bem claro que, apesar de serem grupos rivais politicamente, havia um esquema de corrupção contínuo na Câmara, independente da troca de comando”, falou o delegado.

A polícia investiga ainda contrato entre a atual administração da Câmara e o cinema da cidade, que funciona no prédio do Legislativo, devido indícios de irregularidade no contrato de locação dos equipamentos usados no local. Investigações apontam que valores superiores a R$ 100 mil eram repassados ao grupo político.

Outro alvo da operação “Apolo 13” é referente ao pagamento de diárias de viagens. Os parlamentares, segundo o delegado Domiciano Monteiro protocolavam documentos e recebiam valores referentes a viagens que não realizavam. Alguns desses vereadores são, inclusive, réus em ação penal por receberem diárias indevidas nos anos de 2013 e 2014. “O esquema continuou sendo praticado. Na ação, consta que um dos parlamentares recebeu mais de R$ 100 mil em um ano”, citou o delegado.

O montante desviado das ações fraudulentas ainda é levantado pela polícia, que continua as investigações. A Justiça acolheu o pedido de afastamento do cargo dos vereadores Juarez, Ermelindo, Geraldo, Luiz Fernando, Timóteo, além de quatro servidores administrativos.

Nossa reportagem tentou ouvir os servidores e políticos conduzidos, mas nenhum deles quiseram se pronunciar sobre as acusações.

População dividida

Uma grande quantidade de pessoas se amontoou na porta da delegacia para acompanhar o trabalho policial. Na chegada dos detidos, populares bateram palmas e até cantaram o Hino Nacional. No entanto, quando a reportagem questionou algumas pessoas sobre a prisão dos vereadores, ficou nítido que a população está dividida sobre o assunto.

A estudante de Direito Gabriela Ramos defendeu a operação, mas ponderou sobre a participação do presidente da Câmara no esquema de fraudes. “Foi uma operação muito boa, mas espero que os fatos sejam bem apurados. O presidente da Câmara [Juarez Camilo] está sendo muito julgado e sabemos que o envolvimento dele nisso é inevitável. Mas tem vereador lá com caminhão traçado e sítio. Procurem saber da vida do presidente da Câmara se ele tem casa bonita, carro, sítio. A única pessoa que atende o povo, até mesmo mais do que o prefeito é o Juarez”, disse.

Já o funcionário público “Expedito”, discordou da estudante. “Ele cometeu erros e tem muita coisa errada. Tem que investigar e através dele tem muitos outros envolvidos nesta podridão. Nós que somos obrigados a pagar essa sujeira. Acho que Juarez tem que responder pelos atos. Se ele não devesse, não estaria aqui”, disse.

 

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