Prisões ocorreram em 10 estados e todos os detidos são brasileiros, disse o ministro Alexandre de Moraes durante entrevista coletiva em Brasília (foto: Breno Fortes/CB/D.A press)

A Polícia Federal prendeu dez pessoas que planejavam praticar atos terroristas na Olimpíada do Rio de Janeiro. Além das 10 prisões, também foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão e dois de condução coercitiva. Minas Gerais está incluído entre os estados alvos da operação, sendo que um dos presos foi capturado no estado. Além de Minas, os mandados foram cumpridos no Amazonas, Ceará, Paraíba, Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Mato Grosso e Rio Grande do Sul. Conforme o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, todos os detidos são brasileiros e os agentes pegaram um preso em cada estado.

Cerca de 130 policiais participaram dos trabalhos, batizados de Operação Hashtag. A autorização para o cumprimento dos mandados partiu da 14ª Vara Federal de Curitiba. Os investigados faziam parte de um grupo denominado “Defensores de Sharia” e planejavam adquirir armamento para cometer crimes no Brasil e no exterior.

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A PF disse em nota que as informações foram conseguidas ‘a partir das quebras de sigilo de dados e telefônicos, que revelaram indícios de que os investigados preconizam a intolerância racial, de gênero e religiosa, bem como o uso de armas e táticas de guerrilha para alcançar seus objetivos’. É a primeira prisão feita pela PF com base na Lei 13.260/2016, a Lei Antiterror.

Os presos juraram lealdade ao Estado Islâmico, de acordo com o ministro. Um deles, inclusive, chegou a fazer contato com um site de armas no Paraguai tentando negociar um fuzil AK-47. “Não há confirmação se essa intenção se transformou na aquisição da arma”, diz Alexandre de Moraes. Esse é um movimentos que prova para o Ministério da Justiça que houve uma ação preparatória no sentido de organizar atos terroristas durante os Jogos Olímpicos e justifica a prisão.

Alexandre de Moraes disse ainda que a partir dessa percepção, se deflagrou a operação antiterrorismo. Ele diz que essa comunicação entre os suspeitos se deu por aplicativos de comunicação como WhatsApp e Telegram. “De simples comentários sobre o Estado Islâmico, eles passaram para atos preparatórios. A partir desse momento foi feita prontamente a atuação do governo federal realizando simultaneamente as 10 prisões desses supostos terroristas, que se comunicavam pela internet”, informou Moraes, durante entrevista coletiva realizada em Brasília.

CHAMADA AOS SEGUIDORES O Estado Islâmico e outros grupos jihadistas conclamaram os seus seguidores a atuar como “lobos solitários” e realizar ataques terroristas durante os Jogos Olímpicos do Rio, em agosto. Entre os alvos sugeridos estão as delegações e visitantes dos Estados Unidos, Inglaterra, França e Israel. Os métodos propostos abrangem a utilização de drones com pequenos explosivos, acidentes de trânsito e o uso de veneno e medicamentos.

A defesa dos ataques foi realizada em inglês por meio do aplicativo de mensagens Telegram, que costuma ser usado para estimular a ação de “lobos solitários”, revelou análise do SITE Intelligence, consultoria especializada na atuação de grupos extremistas na internet, que é referência no tema até para o governo dos Estados Unidos.

Em junho, o Estado Islâmico criou no Telegram o primeiro canal para disseminação de propaganda jihadista em português, voltado para o público brasileiro. Desde então, seguidores do grupo passaram a disseminar a incitação de atos terroristas por um grupo que se autointitula “Ansar al-Khilafah Brazil”, que se apresenta como baseado no País.

O autor das mensagens orientou os seguidores a se aproveitarem das favelas do Rio onde a criminalidade é disseminada e a usarem a “porosa fronteira” com o Paraguai para levar armas ao Brasil. “O recente post sobre os Jogos Olímpicos do Rio diz que ‘vistos, entradas e viagens para o Brasil serão fáceis de obter’”, ressaltou a análise do SITE. Segundo a empresa, os jihadistas utilizam o Telegram para fornecer manuais para realização de atentados e celebram a realização de ataques.

Fonte: EM

 

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