Quatro anos após rompimento da Barragem do Fundão, 5% das indenizações foram pagas

O desastre de Mariana foi o maior do mundo com rompimento de barragem - Arquivo ALMG O desastre de Mariana foi o maior do mundo com rompimento de barragem (Roberto Franco/UFMG)

Quatro anos após o rompimento da Barragem do Fundão, apenas cerca de 5% do total das indenizações foram pagas aos atingidos no município de Mariana. O levantamento é do Ministério Público (MP) de Minas Gerais.

Até o início do segundo semestre, apenas 140 pessoas, entre cerca de 3 mil atingidos fecharam um acordo sobre o valor da indenização. O promotor da Comarca de Mariana, Guilherme Meneguin, avalia que os processos estão lentos.

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A Fundação Renova, criada pelas mineradoras Samarco, Vale e BHP para fazer a reparação dos danos da tragédia, informa que até agosto deste ano foram pagos R$ 1,84 bilhão em indenizações e auxílios financeiros emergenciais, para cerca de 320 mil pessoas em toda a região atingida.

Das propostas apresentadas, a fundação diz que aceitou 98% delas.

O promotor de Mariana, contudo, argumenta que um único erro de cálculo na apresentação da proposta pode atrasar o acordo em até 90 dias.

O ex-morador de Bento Rodrigues, comunidade destruída pela lama, Antônio Pereira Gonçalves, conta que preferiu elaborar um dossiê para calcular o valor exato da indenização.

Ele pontua, contudo, que alguns atingidos optaram por não elaborar o dossiê e mesmo assim ainda não conseguiram receber a indenização. O promotor Guilherme Meneguin afirma que as dificuldades nas negociações têm levado à judicialização dos casos.

A indenização em Mariana, segundo a Fundação Renova, tem um processo diferente do restante da região impactada, em razão, entre outros fatores, da Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público e pelas decisões dos próprios atingidos que escolheram que a negociação fosse realizada após a produção de um dossiê, por uma assessoria técnica.

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