Segundo Jayme Alves a reintegração com uso da força policial poderá ocorrer a qualquer momento a partir de hoje (13)

Foi realizada na manhã desta terça-feira (13), a segunda e última reunião entre Polícia Militar de João Monlevade, e os moradores que invadiram 16 casas no conjunto habitacional no Bairro Planalto, do programa Mina Casa Minha Vida do Governo Federal, em parceria com a Prefeitura e a Caixa Econômica Federal.

Trinta e duas pessoas participaram da reunião que teve início às 9h no salão social do Centro Comunitário do Bairro Cruzeiro Celeste.

A reunião foi convocada pelo major Jayme Alves, comandante da 17ª Companhia de Polícia Militar Independente. Além dele estiveram presentes, o advogado Tales Vinícius da Silva Gonçalves, representando a Construtora Incasa, Cíntia Araújo, assessora de comunicação da Câmara, representando o Legislativo, oficiais de Justiça da Comarca, representante do Conselho Tutelar e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Jayme Alves abriu a reunião lembrando aos moradores que seria a última oportunidade dada àqueles que ainda estão nos imóveis de forma irregular, a desocuparem as casas. Disse que das 16 casas invadidas, quatro delas já foram desocupadas de forma espontânea pelos moradores. Segundo ele, a Prefeitura da cidade já sinalizou que não vai pagar o aluguel social, e que apenas poderá fornecer cestas básicas, através da Secretaria de Ação Social do Município, por um período de seis meses.

Ainda segundo o oficial a Ordem Judicial terá que ser cumprida dentro dos próximos 30 dias. O dia para a desocupação com uso da força policial não foi revela, segundo Jayme Alves, por questões de segurança. “É muito ruim para nós executarmos e pior ainda para as famílias. Eu sei que todo mundo tem seus filhos, seus pais, mas é preciso imediatamente buscar uma solução. O objetivo dessa reunião é buscar a saída espontânea para que não sejam pegos de surpresa, às 05h da manhã com a polícia batendo na porta para tirar vocês. Mas essa é uma realidade. Agora à tarde vou informar ao meu superior, o Coronel Edvânio Carneiro, que não houve uma saída espontânea. Vou tentar esperar mais alguns poucos dias e vamos ter que fazer a reintegração de posse”, disse Jayme Alves.

REUNIAO PM INVASORES 126O advogado Tales Vinícius parabenizou o comando da PM sobre a forma como a medida vem sendo tomada. “Estamos em um quadro de ilicitude. Eu não sei o que aconteceu com a Caixa, não temos como avaliarmos isso, o fato é que essas casas, hoje, certo ou errado, possuem um dono. Se antes essas medidas de desocupação eram resolvidas de forma imediata, hoje a situação mudou. Então, eu tenho que parabenizar o major da forma humana como ele está conduzindo esta questão e peço, encarecidamente, para não deixarem que isso vá às últimas consequências. Não queiram ser capa de jornal e nem mártires. Não tem condição de serem retirados de forma injusta diante da forma como vem sedo feito, dando possibilidades de vocês procurarem alternativas. Quero acreditar que vocês estão aproveitando cada segundo do tempo dado pelo major para que busquem um meio de se acomodarem. O Estado está completamente amparado e ninguém está saindo dos imóveis sem saber o que está acontecendo. Não é intenção da Incasa deixar que esse procedimento chegue as suas últimas consequências que serão terríveis”, disse o representante da construtora.

Rosângela Benícia, presidente do Movimento dos Sem Casas, pediu ao comandante da PM mais tempo para que os moradores possam desocupar os imóveis. Segundo o major, esse tempo começou a ser dado a partir do final da primeira reunião, a cerca de 30 dias, e que foi dado o prazo para as famílias se adequarem e que não teria como prorrogar mais, uma vez que já estava de posse da determinação judicial.
Disse ainda que as outras questões relativas aos imóveis, como cadastramento e outras ocupações irregulares (venda de imóveis), os moradores devem procurar a Caixa Econômica Federal.

REUNIAO PM INVASORES 131Para aqueles moradores que ainda não receberam a notificação judicial, e caso essa ordem chegue ao comando da PM até o dia da operação, elas também serão cumpridas no dia da reintegração com uso da força policial, caso seja necessária.

Alguns moradores questionaram sobre a ausência de representantes da Prefeitura e vereadores. “Eu gostaria de saber hoje está os representantes públicos de nossa cidade. Hoje temos aqui mais de 20 famílias sem o apoio da Prefeitura pra oferecer uma cesta básica. Eu hoje ganho um salário mínimo e como que vou pagar um aluguel de R$400,00 e vou comer o quê? Onde estão os órgãos públicos dessa cidade que não olham o direito de moradia do ser humano?”, questionou a moradora.

“Aqui a nossa conversa é desocupar. O poder público estar presente ou não se torna um discurso que não traz solução. Vocês não têm outra opção a não ser, desocupar os imóveis”, concluiu Jayme Alves.

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