Sintramon fala em distorção de dados e convoca assembleia para terça-feira

Izaura apresentou as planilhas com os números que apontam que a Prefeitura tem condições de conceder o reajuste maior para os servidores

O Sintramon – sindicato que representa os funcionários públicos da Prefeitura de João Monlevade convocou a imprensa na tarde desta quinta-feira (28) para tratar sobre a data-base da categoria, que vem sendo discutida desde o mês de março, sem sucesso.

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O encontro ocorre depois de reunião com equipe de secretários da prefeita Simone Moreira (PSDB), no início da semana, para nova rodada de negociação do reajuste dos salários e também após reunião ordinária da Câmara Municipal, na qual o principal assunto da semana foi a data base. Da reunião, saiu a proposta de reajuste salarial de 2,29% e aumento no vale alimentação de R$ 35,00.

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Conforme a presidente do Sintramon, Isaura Bicalho, os dados fornecidos pela administração municipal para o sindicato foram analisados por equipe econômica da entidade que encontrou várias distorções.

“Descobriram erros nos cálculos da administração. Analisando dados, vimos várias distorções na tabela. Em uma delas havia 1.867 servidores e em outra planilha com 2.216. Isso porque eles juntaram autarquias como o DAE e a Câmara, que tem receita própria. Pedimos através de ofício o número exato de servidores. Através deste documento, podemos confirmar que estão jogando o reajuste do Vale Alimentação para baixo. No dia da reunião, pedi insistentemente que a economista da prefeitura [Érika Rabelo] sentasse à mesa e explicasse como chegou aos valores apresentados e eles [os secretários] não convocaram ela. Em outra oportunidade, pedi a presença dela para discutirmos e também não a convocaram”, salientou Isaura fazendo referência a números como total de funcionários e receita orçamentária apontados pela Prefeitura com dados diferentes.

Os dados e a proposta de reajuste, ainda conforme a presidente do Sintramon serão colocados em votação em assembleia da categoria, agendada para a próxima terça-feira (3 de julho), a partir das 16h30, no Sindmon-Metal. Isaura salientou ainda que o acordo coletivo deve ser retroativo ao mês de março. No entanto, a administração já sinalizou um possível parcelamento desse aumento dos salários, o que também será levado ao conhecimento dos servidores em assembleia.

Em tom de desabado, a presidente comentou também que muitos servidores questionam sobre o acordo coletivo. “Sabemos que está muito complicado para os trabalhadores. Quando me perguntam e a minha resposta é que sempre vamos encaminhar para assembleia, mesmo que não ela tenha muita representação”, disse a sindicalista que completou: “os acordos estão muito demorados para serem finalizados. Fazemos o papel da gente e o que nos deixa chateados é o que acontece na Câmara. Vereadores da base jogam para cima da gente a culpa. Mas eles [a administração] que enrolam, desvalorizam os efetivos e enchem a prefeitura de cargos políticos que recebem valores muito superiores aos cargos efetivos”.

Segundo o professor Huíta Matozo, também presente na coletiva, a folha de pagamento da prefeitura saltou de 2016 para 2017, de R$82 milhões para R$93 milhões, o que corresponde uma correção maior que a negociada no ano que foi de pouco mais de 5%. “Há dois anos a prefeitura tinha 166 funcionários contratados e hoje estão com 199, segundo o Portal Transparência da Prefeitura. Outra questão eles apresentam dados diferentes. Hora eles apresentam uma receita de R$ 195 milhões e depois em outro momento de R$197 milhões. Isso é um problema porque você tem um referencial e quando muda, temos que analisar tudo novamente. Nós fazemos essa análise em três dias e eles demoram três meses para fazer. Todas as vezes que analisamos os números não batem, então não temos como fazer uma analise precisa”, completou o professor.

Uma nova reunião entre Sindicato e a Prefeitura está agendada para o dia 10 de julho na Secretaria Regional de Trabalho e Emprego.

Além de Huíta também participaram da coletiva o sindicalista Carlos Silva e o vereador Gentil Bicalho (PT).

O outro lado

Em nota, a prefeita disse que não há mais o que se discutir com o Sintramon e afirmou índice de reajuste na ordem de 2,29% e R$ 35,00 no vale alimentação de todos os funcionários. Ainda segundo Simone Moreira, “a Prefeitura chegou ao extremo nas negociações e, devido às constantes quedas de receita e às limitações financeiras, a administração não tem como oferecer mais aos servidores”.

A prefeita também pontuou que não deve comparecer à audiência agendada para 10 de julho na Secretaria Regional do Trabalho, em Belo Horizonte. Já representantes do Sintramon reafirmaram presença à reunião.

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