Pedido é de R$ 54,6 bilhões, mas mineradora que pagar menos da metade

Terminou sem acordo a reunião entre a mineradora Vale e o Governo de Minas Gerais, no Tribunal de Justiça do Estado, sobre a reparação dos danos provocados pelo rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, há um ano e dez meses.

O acordo tem cifras bilionárias. O pedido feito pelo governo de Minas em conjunto com os ministérios públicos, defensorias e advocacias gerais da união e do estado é de R$ 54,6 bilhões para reparação coletiva dos prejuízos econômicos e sociais dos atingidos em toda a bacia do rio Paraopeba.

270 pessoas morreram no desastre, entre elas funcionários da Vale e moradores da região.

Tanto o governo de Minas como instituições do sistema de justiça não aceitam a proposta financeira de R$ 21 bilhões apresentada pela Vale.

O secretário-geral do governo de Minas Gerais, Mateus Simões, afirmou que há dificuldades também na garantia de um acordo de fácil e rápida e execução para que não ocorra o mesmo que aconteceu no município mineiro de Mariana. Mateus Simões cita pontos mais problemáticos.

O rompimento da barragem em Mariana ocorreu há cinco anos e ainda há moradores sem casa.

O MAB – movimento dos atingidos por barragens, também é contrário aos valores oferecidos pela Vale. O valor, segundo o movimento, equivale a menos de 5 meses de lucro da mineradora.

Moradora de São Joaquim de Bicas, cidade vizinha a Brumadinho, Elizabeth Pereira diz que desde o rompimento da barragem o único acesso à água potável é a fornecida pela Vale, e destaca que esse não é o único problema. Elizabeth conta que os rejeitos de minério da bacia do córrego do feijão a impedem de plantar.

Elizabeth esteve do prédio do Tribunal de Justiça, em Belo Horizonte, para cobrar o direito a participação nos processos de reparação do crime da Vale na bacia. O protesto foi organizado pelo MAB.O

Movimento acredita que a força dos atingidos em luta na porta do TJMG na hora da reunião, garantiu a pressão para que mais uma vez esse acordo não passasse.

A Vale afirmou que segue mantendo um diálogo construtivo com o Governo de Minas e instituições de Justiça federais e estaduais, visando a um possível acordo em benefício de todo o Estado e especialmente das populações de Brumadinho e municípios impactados da calha do rio Paraopeba.

Um acerto na audiência dessa terça-feira garantiu a prorrogação do auxílio emergencial a moradores de regiões atingidas, pago pela Vale, até 31 de dezembro. A ajuda financeira se encerraria em novembro.

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