O desastre de Mariana foi o maior do mundo com rompimento de barragem - Arquivo ALMG O desastre de Mariana foi o maior do mundo com rompimento de barragem (Roberto Franco/UFMG)

Completa, neste 5 de novembro de 2019, quatro anos do rompimento da barragem das empresas Samarco, Vale e BHP, no município de Mariana, em Minas Gerais.

Por volta das 15h quando a estrutura rompeu, despejando 39 milhões de metros cúbicos de rejeitos da mineração pela Bacia do Rio Doce.

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Comunidades e propriedades rurais foram destruídas. Rios foram sendo poluídos até a foz da bacia, no Espirito Santo, o que alcançou 39 municípios.

A aposentada Enir Pinto Bento, de 77 anos, tem um lote na cidade de Barra Longa, que foi atingida pela lama. Ela lembra com tristeza que naquele dia viu a lama chegando e que ficou doente após a tragédia.

Dos reassentamentos previstos para a população afetada, dois estão na fase inicial da obra e um ainda não começou, que é o da comunidade de Gesteira, onde vive Enir Pinto Bento, que diz que a população local está muito revoltada, principalmente quem perdeu suas casas .

A aposentada vive com o marido e, antes do rompimento, plantava alimentos no lote, mas a lama destruiu as condições para o plantio.

Apesar disso, ela só conseguiu receber alguma indenização há cerca de 6 meses, após a chegada de uma assessoria técnica que auxilia a população na busca pelos direitos de reparação pela tragédia.

A agricultora afirma que a Fundação Renova, financiada pelas mineradoras para reparar os danos, negava o direito à indenização, argumentando que a lama não destruiu a casa onde ela mora.

Um dos coordenadores do MAB, Movimento dos Atingidos por Barragens, Guilherme Camponez, conta que a contratação de assessorias técnicas para auxiliar os atingidos tem sido a principal demanda dos moradores da região.

Segundo o representante do MAB, apenas quatro municípios fecharam a contratação com assessorias técnicas para auxiliar as pessoas na negociação.

O município de Naque é um dos que aguarda essa contratação.

Rafaela Pereira, filha de pescadores da cidade, conta que o pai perdeu a fonte de renda, já que a pesca foi proibida.

Mesmo assim, eles não recebem reparação por estarem fora do perímetro definido pela Fundação Renova.

A cidade de Naque capta água dos rios atingidos pelos rejeitos e Rafaela diz que os casos de doença aumentaram.

A filha de pescadores diz que a população local luta para que o município altere a captação de água para fontes não atingidas pelos rejeitos.

Em 2018, após acordo com a Justiça, a Fundação Renova começou a incluir representantes dos atingidos nos espaços de decisão da instituição.

Em nota, a Fundação afirma que aguarda a instalação de todas as 21 comissões locais para colocar em prática o novo acordo de governança. E que, por uma questão de autonomia dos atingidos, a Renova não participa dos processos para constituir as comissões, nem a seleção das assessorias técnicas.

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