Uma breve experiência na Califórnia

Uma breve experiência na Califórnia (parte 1)

Por Breno Eustáquio*

Comecei 2019 fora do Brasil. Fui pra San Francisco, na Califórnia, com a cara e a coragem. Uma das cidades mais caras do mundo, onde nascem e estão os maiores negócios do planeta. Meu objetivo foi melhorar o inglês e, por isso, me matriculei numa escola britânica com várias filiais nos Estados Unidos. Escolhi a Califórnia porque era o lugar menos frio do inverno americano. E só não congelei porque Deus é mais!

Graças a Ele, não tive problemas sérios nos Estados Unidos. Aliás, há muito tempo não sentia o alívio que senti deixando pra trás as coisas do Brasil. Só senti saudade da família e dos amigos. Por vezes, a comida também me vinha à memória (definitivamente o Brasil tem a melhor comida do mundo pela qualidade, frescor e variedade), porém a quantidade de novidades logo me distraía.

Não quero redigir aqueles textos clássicos que costumamos fazer depois que temos experiências internacionais exaltando o exterior e diminuindo o Brasil. Há pontos positivos e negativos nos dois casos. Portanto, ao invés de comparações, quero fazer observações de situações que me chamaram a atenção nos Estados Unidos.

A primeira delas diz respeito à forma como os americanos tratam a educação. Lá é coisa muito séria. Seguem um planejamento rigoroso, respeitam o tempo da aula e o professor é quase que um representante divino na terra. Os “teachers” americanos falam o que pensam sem ser indelicados e nos corrigem nos encorajando ao invés de nos reprimirem e até mesmo humilharem.

Outra coisa que me chamou a atenção é o cuidado que eles têm com a segurança. Em caso de emergência, nada de pânico. Todo mundo sabe o que fazer. Desde o grande terremoto de 1906, a cidade de San Francisco vive a iminência de uma grande catástrofe devido à falha geológica de Saint Andreas (ou Santo André em português). Todas (eu disse TODAS) as construções possuem plano de evacuação em caso de emergência, pontos de encontro e sistema de combate a incêndios. Custe o que custar, na cidade de San Francisco e acredito que nos Estados Unidos inteiro, a segurança deve vir em primeiro lugar.

San Francisco é famosa por ser a cidade dos negócios, por ser a porta de entrada do Vale do Silício, onde estão as sedes de companhias mundialmente famosas como Uber, AirBNB, Sales Force, NetFlix, Google e Facebook. A profissão mais em evidência por lá é a Engenharia de Software ou qualquer outra, desde que esteja liga à tecnologia e o uso da Inteligência Artificial.

Assustei-me com a quantidade de placas nas empresas com aviso de “estamos contratando”. Os Estados Unidos vivem a era do pleno emprego e, se eu tivesse um visto apropriado pra isso, com menos de uma semana já estaria trabalhando em terras americanas. Lá é bem vindo qualquer tipo de empreendedor, de qualquer nacionalidade.

Praticamente toda noite, nos hotéis e pequenas empresas do Distrito Financeiro da cidade, há encontros entre empreendedores e investidores anjo (pessoas dispostas a investir em sua ideia, desde que, claro, ela seja boa). Tudo é marcado por aplicativos de telefones celulares, como “Meet up”, uma espécie de Tinder dos que querem fazer negócios.
Aliás, aprendi nesses encontros de inovação e empreendedorismo que a chave do sucesso no Vale do Silício é você sempre ter o que oferecer, o que colocar na mesa. Eles vão criticar, vão discutir e, no fim, mesmo que você não consiga os milhares de dólares necessários para o seu empreendimento, terá saído do local com uma rede de trabalho consolidada e uma gama vastíssima de contribuições para melhorar o seu negócio: tudo de graça.

Claro que minhas experiências não acabam por aqui. Espero escrever, pelo menos, mais uns 5 textos sobre o meu intercâmbio. Quero falar com mais detalhes sobre como é estudar inglês numa escola americana; quero falar sobre imigração e sobre os mendigos de San Francisco; quero falar sobre choque cultural, sobre a galera super top que conheci por lá e, claro, sobre Las Vegas, outra cidade mega singular. Até semana que vem!

(*) Breno Eustáquio é professor universitário

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