Estudantes pedem mais segurança e repudiam estupro de estudante de engenharia (fotos: Kátia Passos)

Com cartazes, de roupa preta para simbolizar o luto e com gritos de ordem com pedidos de mais segurança, centenas de universitários foram às ruas de João Monlevade nesta segunda-feira (2), cobrar ações que possam impedir crimes no entorno das faculdades da cidade, principalmente da UEMG.

A mobilização é motivada pelo estupro de uma estudante de engenharia da universidade, no final de semana. A jovem, de 21 anos, foi atacada ao sair da escola. O estuprador coagiu a vítima com uma arma. Ela foi amarrada numa árvore com a sua própria blusa, agredida e estuprada. Não há pistas do autor da atrocidade. (Clique aqui e leia o apelo da delegada que cuida do caso).

Indignados com o crime, os estudantes organizaram uma manifestação que partiu da porta da UEMG e terminou no centro da cidade.

A mobilização ganhou apoio da comunidade, de integrantes da Associação Mulheres em Ação de João Monlevade (AMA-JM), do padre Marcos José Almeida, de diretores e professores da instituição de ensino e da Cia de Teatro Os Issos.

O presidente do Diretório Acadêmico (DA) da UEMG, estudante de Engenharia Civil, Ricardo Souza Mendes Barbosa (foto), pontuou que a passeata teve como objetivo chamar atenção para questão da violência. Ele disse também ser intuito dos universitários ganhar apoio da reitoria da universidade. “Não há segurança nem mesmo dentro da universidade, pois não temos vigias”, disse.

O estudante enfatizou que após o estupro da amiga universitária, os estudantes receberam apoio das polícias, da Câmara de Vereadores e da Prefeitura. Do encontro com o comandante da Polícia Militar, major André Pedrosa, o presidente do DA contou que foram apontadas algumas medidas que possam diminuir as ocorrências no entorno da UEMG. Uma delas é a instalação do ponto de ônibus na porta da universidade, evitando que os alunos tenham que descer o morro para apanhar os coletivos. O comandante também disponibilizou rotas para passarem nos arredores da escola nos intervalos, que é o horário que os estudantes mais precisam de segurança.

O diretor da UEMG em João Monlevade, José Rubenildo dos Santos disse que além da reunião com a PM da cidade, há um encontro agendado em Belo Horizonte para que novas medidas de segurança também sejam adotadas. Ele lamentou o corrido e disse que “não estão parados”.

Também solidários ao movimento, a presidente da AMA-JM, Eliane Araújo, pontuou que além do pedido de segurança, não se pode deixar que o fato ocorrido com a aluna da univerdade se torne apenas uma estatística. Já o padre Marcos José enalteceu a manifestação e a união dos alunos. “Não podemos deixar que crimes como esse voltem a acontecer. Temos muito o que corrigir em João Monlevade e não vamos cruzar os braços”, disse.

Nota da UEMG

A UEMG, por meio da Unidade Acadêmica João Monlevade divulgou também nessa segunda-feira, uma nota sobre o caso. Confira o documento na íntegra:

A UEMG, por meio da Unidade Acadêmica João Monlevade afirma sua consternação pelo crime de agressão física e sexual sofrido por sua estudante e com ela solidariza-se pelo sofrimento de que foi alvo no dia 29 de setembro, nas imediações da Universidade.
Ainda que a prática criminosa não tenha ocorrido dentro da sede da Universidade, a Diretoria soma-se às vozes de sua comunidade acadêmica,que hoje se manifesta nas ruas, de forma pacífica e organizada, por mais investimentos em segurança.

Desde seu conhecimento acerca dos fatos, a Diretoria da Unidade João Monlevade, apoiada pela Reitoria da UEMG, já se movimenta para provocar nos setores responsáveis pela segurança pública do município os diálogos necessários para prover naquela região da cidade um maior policiamento, adequação da iluminação pública além de buscar outras ferramentas que possam ser implantadas com o objetivo de promover maior eficiência na segurança dos estudantes e demais cidadãos de bem.

Assim, foi definida uma agenda de encontros durante esta semana junto à Polícia Militar, à Prefeitura Municipal e também à Câmara de Vereadores de João Monlevade, para que casos análogos não tornem a ocorrer, especialmente nos horários em que se ministram as atividades acadêmicas.

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